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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

. Projetar e Expectativa: A Ordem das Coisas Em 2012, escrevi sobre relacionamentos e sucesso. Na época, eu tinha uma regra de ouro: eu primeiro. Ponto. Mas a vida, essa mal-educada, adora nos pregar peças. O fato é que eu estava apaixonado. — e continuo, porque ninguém deixa de gostar de alguém só porque o outro resolveu ser estúpido. Gostar não é torneira que se fecha. Pois bem. Em 2012, a criatura resolveu sumir do mapa. Espero que tenha sumido de si mesma também. Afinal, de que adianta sumir se não for para a Escandinávia, com a certeza absoluta de que você não foi junto? Se for para sumir e continuar por perto, melhor nem se dar ao trabalho. É falta de criatividade. O problema do sumiço alheio é o que ele faz com a gente: cria expectativa. E expectativa é aquela coisa perigosa de esperar um mundo melhor, pessoas deslumbrantes , lugares paradisíacos. Uma projeção de sonhos em cima de alguém que, no fim das contas, só conseguia enxergar o próprio umbigo. E o que a gente faz? O de sempre. Fica deprimida, sente-se a pessoa mais feia do mundo e se tranca num casulo — que a gente chama de castelo para manter a pose. Aí vem a trilha sonora: Maysa e Dalva de Oliveira, porque para sofrer de verdade tem que ter drama, tem que ter voz rasgada. É a melancolia projetada em 33 rotações. Eu achava que a felicidade era uma equação matemática de reciprocidade. Tolice. Quando só um gosta, a conta não fecha, mas a gente insiste no erro porque criar expectativa é, no fundo, o que nos mantém vivos. A verdade é que só sofre quem viveu algo bom. Só tem saudade quem teve história para contar. E a vida só segue porque a gente insiste em projetar, nos meses que virão, um futuro muito melhor que nesse passado que insistiu em nos dar o bolo. É o que resta, e é o que nos salva.