segunda-feira, 23 de março de 2026
A Elegância de Sair de Cena
Decididamente, eu gosto de Belo Horizonte! Seu dia a dia é um cenário maravilhoso de apreciar. As pessoas são agradáveis e interessantes; algumas podem ser um clichê do cotidiano, mas outras têm um feeling que não dá para explicar. São grandes personagens nesta cidade-megalópole com cara de 'bão demais da conta, sô!'.
A cidade esbanja uma sensualidade em tudo, até em suas pinturas. Na verdade, ela tem um pudor velado e, ao mesmo tempo, algo que 'mostra as canelas'. É um fato bem antigo, que remete aos séculos XVII e XVIII. Em tempos onde quase tudo é permitido, a nudez ainda fica no grupo dos proibidos. Isto porque, nos dias atuais, para ficar pelado você deve estar, no mínimo, com a terapia em dia.
Que nada! Você precisa mesmo é estar com a queratina, o whey protein, o botox, o lifting e o silicone (para as mulheres) ou a testosterona injetável (para os homens), claro! O corpo precisa estar sempre novo e firme, e isso vale para todos: homens, mulheres e gêneros.
Conforme envelhecemos, vamos sendo 'abolidos' do convívio social frenético dos jovens — o que acho prazeroso. Os velhos perderam a vez, mas ganharam uma infinidade de paz. Uma das coisas em que ando transitando muito são as reuniões que começam pouco depois das 15h e, lá entre as 18h e 19h, já estão sendo encerradas.
Que paz! Aí você consegue ir para casa cedo, tomar um banho e descansar, pronto para um novo dia. Diga se isso não é ganhar a paz? E a sorte de não ter que esbarrar em nada que se mova e seja 30 anos mais novo que você.
quinta-feira, 19 de março de 2026
O Jogo, o Manual e as Terras Mineiras
Dizem que a vida é um jogo, mas esqueceram de avisar que o manual de instruções muda conforme a fase. A regra é curta e grossa: só avança o sinal quem tem coragem — e, convenhamos, "bala na agulha" para segurar o rojão se a multa vier. Se você é o dono do banco ou tem a caneta na mão, o tombo é de veludo. Para o resto de nós, meros mortais, o que chamamos de bravura é, quase sempre, puro desespero.
A distância entre o querer e o fazer esbarra sempre em quem manda no mundo. E vamos falar a verdade: quando o tombo vem de cima, a dor demora a passar. Séculos atrás — ou foi impressão minha? — voltei de Portugal com uma ferida que eu jurava ser eterna. Foram dois anos em "banho-maria", até que o eixo alinhou e a coragem de recomeçar brotou de novo. Com tudo o que se tem direito, é claro.
Oito anos depois, aqui estou: entre o embarque e o desembarque em Belo Horizonte. É um "trem" doido, esse de idas e vindas. Eu e BH temos um caso de amor de cinema, com trilha sonora romântica e aqueles roteiros de drama e decepção que a gente finge que detesta, mas adora.
No fim das contas, começar é ímpeto. Mas recomeçar? Ah, isso é para quem sabe jogar de verdade. A vida é esse duplo sentido eterno: ou você acelera ou adia; ou toma uma atitude ou vira paisagem. E enquanto o mundo não acaba com a gente, eu sigo por aqui. Entre a coragem de fazer e a teimosia de continuar, em terras mineiras
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