
Prometer é um exercício de má educação. É fácil, não custa nada e, convenhamos, quase nunca se cumpre na ordem em que foi dito. Políticos prometem acabar com as especulações e nós, com essa mania cristã de acreditar no impossível, acabamos com um estoque enorme de descrédito. É um cansaço. E o amor? Ah, o amor e suas promessas de bangalôs. Tem gente que se agarra a qualquer fresta de luz, jurando que um dia o amor vai dar certo. Nem sempre dá, aceitem. E essas pessoas penam, coitadas. Vivem de promessas básicas: um anel, uma pulseira, um bracelete qualquer. Esperam a casa com varanda e flores na janela, e acham que a felicidade mora num bangalô — que nem precisa ser em Bali, pode ser em qualquer lugar, desde que seja "o" lugar. No fim, quem acreditou fica de mãos abanando, sem ganhar sequer um daqueles brindes de plástico que vinham nos chicletes de antigamente. Mas o que me irrita de verdade são as promessas de Ano Novo. Aquelas que a gente faz para si mesma e que morrem na primeira semana de janeiro. "Vou parar de fumar", eu digo, enquanto acendo o próximo. Se eu tivesse cumprido tudo o que prometi a mim mesma, minha casa de ex-votos seria maior que a Basílica de Aparecida. Hoje, prefiro o bom senso: se acontecer, ótimo. Se não, é porque não era para ser. Ponto. Não se sofre por palavra dita ao vento. E as secretárias? Entra ano, sai ano, e a gente se promete que a próxima será um "anjo da guarda". Bobagem. Elas nunca são o que a gente espera. Às vezes penso que seria melhor contratar uma secretária marroquina, ou de uma tribo bem distante, só para não ter que ouvir a frase "da próxima vez eu faço certo". Porque a gente sabe: não fará. Depois vêm os chefes com os aumentos que nunca chegam, as promoções que ficam no papel e aquelas pessoas distantes que juram que vão voltar. Tenho pavor de quem promete voltar; no fundo, a gente sabe que não é verdade. Dizem que sou chata, intolerante. Talvez eu seja. Mas quem não ficaria intolerante sendo deixada no topo do Himalaia, sem casaco e sem paraquedas? Sou o tipo de chata que insiste até conseguir o que quer. Para uns é chatice, para mim é eficiência. Um conselho: não prometa nada na beira de um caixão. O morto pode levar a sério e voltar para cobrar. E não perca tempo prometendo aos santos. Eles devem estar ocupadíssimos com as reformas celestiais e nunca me responderam nada. No fim, qual o valor de quem cumpre o que diz? É a satisfação garantida, artigo raríssimo. E para quem não cumpre? A minha mais absoluta ingratidão, devolvida com a mesma elegância de sempre
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