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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Alo... Alo Terezinha:


Quem foi que disse que para ser feliz precisa de muito? Conversando com uma amiga na academia — aquele templo de suor e lamentações — ela soltou o dogma definitivo: "Depois de certa idade meu amigo, a vida te dá duas opções: ou você escolhe ser feliz, ou escolhe ser magra. Os dois não cabem no mesmo jeans!" Nem preciso dizer qual foi a opção dela, né? Mas ela tem a sorte a favor: o marido faz tudo o que ela quer, a vida já está ganha, os filhos criados... agora o único boleto que ela tem para pagar é o da nutricionista. O projeto agora é ser "magra de berço", mesmo que o berço tenha sido há décadas. Triste mesmo é pra quem ainda está correndo atrás do prejuízo (e do prejuízo acumulado no bufê de sobremesas). Tem gente que faz tanta promessa que o pobre do Santo Antônio já deve ter pedido aposentadoria por invalidez. É santo enterrado de cabeça para baixo, santo no congelador, santo amarrado... Uma verdadeira sessão de tortura medieval com o pobre do "casamenteiro". E como ninguém é uma ilha (e ninguém quer viver à base de delivery individual), surgiu a técnica do pirulito. Dizem que, como o Santo Antônio carrega o Menino Jesus no colo, o segredo é balançar um saco de pirulitos e prometer a guloseima para a criança. A lógica é infalível: a criança abre o berreiro no ouvido do Santo pedindo o doce, e ele, para ter um minuto de paz, resolve o seu encalhe em segundos. É chantagem espiritual de alto nível! Mas tem gente que abusa. Uma conhecida fez um combo de pedidos: queria um marido rico, um emprego na área de formação, filhos e, de brinde, a felicidade plena. Eu, na minha santa ingenuidade, comentei: "Mas aí você está querendo que o Santo faça um milagre e ainda assuma a consultoria do seu RH?". No que ela respondeu, com a maior cara de pau: "Ué, mas eu nem pedi que o marido fosse bonito!". Claro que ela não conseguiu nada. Até o Santo ficou confuso com o edital de convocação dela. Esse negócio de felicidade é a maior mentira da vida (e olha que a Bethânia canta isso com uma convicção de dar inveja). A felicidade só não é completa porque a gente ainda não descobriu em qual shopping ela fica. Se tivesse endereço físico, a felicidade seria eterna, rica, elegante e aceitaria parcelamento em 12 vezes sem juros. E por falar em eternidade, tem gente que é de uma pureza assustadora. Acredita em amor de verdade, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e, o auge do delírio: o Príncipe Encantado. No cavalo branco. Com brasão e coroa. Gente, acorda! Príncipe de verdade só mora em Londres, Mônaco ou na Arábia Saudita (e esses últimos vêm com um harém de brinde). No Brasil, o Roberto Carlos não é Rei nem na Urca, a Xuxa já se aposentou do trono dos baixinhos, o Pelé entregou a chuteira e o sofá da Hebe virou peça de museu. Aqui, realeza mesmo só a Família Orléans e Bragança, que ainda discute se o trono é de Petrópolis ou de Vassouras enquanto a gente discute se o preço da picanha baixou. No fim das contas, quem entendeu tudo foi o Chacrinha. Ele não prometia príncipe, nem abdômen definido. Ele era o Rei do Cassino, o monarca da buzina e o imperador do bacalhau. Para quem ainda está aí tentando ser feliz na base da promessa e da alface: "Alô, alô, Terezinha! É um barato o cassino do Chacrinha!". Porque, no fundo, a felicidade não é um estado de espírito... é um estado de bagunça

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