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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

“ LIBERTAS QUAE SERA TAMEM”...


liberdade: Antes Tarde do que Nunca (E olhe lá!) Oito meses escrevendo cartas que nunca foram para o correio? Querida, pare com isso agora. É perda de tempo, e tempo — a gente descobre depois dos trinta — é o nosso único luxo real. Essa história de se prender à vontade do outro, de esperar uma resposta que virou um monossílabo de segundos... quem nunca? Todas já passamos por esse papelão. Mas a regra é clara: se a conversa encolheu, o interesse também. Ponto. E aí você me vem com os Inconfidentes. Acho chiquérrimo, o romantismo tem seu valor, mas vamos combinar: libertar-se de um amor mofado é muito mais difícil do que expulsar os portugueses. É um Iluminismo pessoal, sabe? É parar de pedir licença para ser quem se é. Olha a Eva. Todo mundo diz que ela pecou, mas eu prefiro pensar que ela simplesmente não aguentava mais o tédio do Paraíso. Aquele lugar devia ser uma chatice! Adão, coitado, era um omisso. Eva foi a primeira mulher com iniciativa da história: trocou a segurança de uma redoma por uma fruta do pecado e a chance de decidir o próprio destino. Bravo, Eva! E a Diana? Aquilo sim foi um grito. Imagina o que é aguentar aquela pompa toda, aquele figurino rígido e um marido que amava outra, só por causa de uma aparência governamental? Ela rompeu, foi ser feliz do jeito dela, com os erros dela. Deu o que falar? Deu. Mas viveu. Agora, o que eu acho o máximo mesmo é essa sua amiga das quartas-feiras. Cinco mulheres, um jantar e conversa jogada fora. Isso não é só um grupo, é terapia de luxo. Não existe nada mais libertador do que o apoio de quem nos entende sem precisar de legenda. É a nossa própria militância, no estilo Dilma, mas com um vinho melhor e sem o peso do Planalto nos ombros. No fim das contas, aquele lema da bandeira de Minas faz todo o sentido: Libertas Quae Sera Tamen. Liberdade, ainda que tardia. Mas eu acrescentaria: que seja agora! Porque esperar dói, e a vida — essa danada — não espera ninguém. Portanto, liberte-se. Deixe as cartas na gaveta (ou melhor, queime-as) e vá para o jantar de quarta. Ser livre dá um trabalho danado, mas é a única coisa que realmente vale a pena.

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