A nudez no quarto era um escândalo. Ali, sob o teto, o corpo dele — que antes tinha a passividade de um padre — subitamente se transformava. Era a metamorfose do bicho! Pernas e braços num bailado de luxúria, uma língua implacável desvendando o ser. O calor era um sopro do inferno em volta do corpo quente.
Enquanto você dormia, eu ria. Sim, ria de puro desespero! E te beliscava, com a crueldade dos amantes, só para que você acordasse e sentisse aquela dor aguda, divina, que atende pelo nome de desejo. Chorei? Chorei em silêncio. Chorei porque você estava ali, com um vigor sexual de dar inveja aos mortos. O sexo era ótimo, sim senhor! O cansaço era a única verdade, a fricção íntima de dois corpos esgotados.
Mas o seu sono... Ah, o seu sono absoluto me deixava maluco! Era uma traição. Naquele momento, você não era meu; era dono do seu sonho mais íntimo, de um território onde eu não punha os pés. Eu morria de inveja da sua paz!
Tive vontade de fotografar tudo, de montar uma galeria da nossa obscenidade para que o mundo inteiro visse a minha felicidade. Porque, diga-me: o que seria das relações sem a memória do pecado? Sem as fotos não tiradas e as histórias engolidas? O ser exposto precisa de um público! Quem se exibe quer provocar o ódio, o amor, o bem e o mal. É a fina navalha! Andamos por ela, sangrando suavemente para não matar o outro. Manchar a alma por puro ego é um risco. O risco de perder o seu nome — você! Eu sentia medo, uma angústia que machucava a minha própria carne. Mas eu preciso disso! Preciso do seu 'sim', da sua mão percorrendo a minha pele molhada, dos seus dedos no meu peito.
Eu queria a sua língua me penetrando as entranhas, o seu corpo me possuindo com a rigidez de um carrasco e a culpa de um seminarista. Você, ajoelhado no meu colo, dominando o impossível
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Enquanto você dormia...
A nudez no quarto era um escândalo. Ali, sob o teto, o corpo dele — que antes tinha a passividade de um padre — subitamente se transformava. Era a metamorfose do bicho! Pernas e braços num bailado de luxúria, uma língua implacável desvendando o ser. O calor era um sopro do inferno em volta do corpo quente.
Enquanto você dormia, eu ria. Sim, ria de puro desespero! E te beliscava, com a crueldade dos amantes, só para que você acordasse e sentisse aquela dor aguda, divina, que atende pelo nome de desejo. Chorei? Chorei em silêncio. Chorei porque você estava ali, com um vigor sexual de dar inveja aos mortos. O sexo era ótimo, sim senhor! O cansaço era a única verdade, a fricção íntima de dois corpos esgotados.
Mas o seu sono... Ah, o seu sono absoluto me deixava maluco! Era uma traição. Naquele momento, você não era meu; era dono do seu sonho mais íntimo, de um território onde eu não punha os pés. Eu morria de inveja da sua paz!
Tive vontade de fotografar tudo, de montar uma galeria da nossa obscenidade para que o mundo inteiro visse a minha felicidade. Porque, diga-me: o que seria das relações sem a memória do pecado? Sem as fotos não tiradas e as histórias engolidas? O ser exposto precisa de um público! Quem se exibe quer provocar o ódio, o amor, o bem e o mal. É a fina navalha! Andamos por ela, sangrando suavemente para não matar o outro. Manchar a alma por puro ego é um risco. O risco de perder o seu nome — você! Eu sentia medo, uma angústia que machucava a minha própria carne. Mas eu preciso disso! Preciso do seu 'sim', da sua mão percorrendo a minha pele molhada, dos seus dedos no meu peito.
Eu queria a sua língua me penetrando as entranhas, o seu corpo me possuindo com a rigidez de um carrasco e a culpa de um seminarista. Você, ajoelhado no meu colo, dominando o impossível
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2 comentários:
AMIGOOOOOOOOOO!!! QUE TEXTO DELICIOSO DE LER. AMEI....SINCERAMENTE...Õ TREM BAO!!! RS.... BEIJOS
obrigado amiga....
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