segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Na Fossa, mas de Salto Agulha
Quando tudo parece que não tem mais como dar errado, e a vida te dá aquele golpe baixo — aquele que faz você desacreditar em tudo, especialmente em quem você amava — o que fazer?
A primeira regra é: ignore a autoajuda barata, rivotril (ja percebram que amo?!). Vá direto para a poesia. Sofra. Sofra tudo o que tem direito. Chore, dramatize, sinta-se a maior vítima de uma injustiça social e amorosa. Mas — e este é o ponto crucial — faça isso com elegância.
Nada é mais deprimente do que uma pessoa sofrendo que a torna desleixada. Comer como um porco ou parecer um moribundo? Jamais. Esteja sempre em cima do salto mais fino que tiver no armário. Se, por um acaso do destino, você cruzar com o "ser amado", ele precisa olhar para as suas pernas — alongadas e impecáveis — e pensar: "Eu nunca tinha reparado nisso?".
Nesse momento, você tem o poder. Pode cravar o salto no peito dele para que ele entenda o que é dor, ou simplesmente mostrar que, mesmo em frangalhos, você continua uma mulher deslumbrante. Eles, os homens? Pobres coitados. São fracos demais para assumir um sofrimento de relação. Educados na cartilha do Marquês de Sade, sentem um prazer quase infantil em nos fazer sentir um lixo.
Eu tenho um método. Me jogo no abismo por exatamente sete dias. Prometo a mim mesmo sofrer até a morte. No oitavo, levanto. Ainda dói, claro, mas já começo a torcer discretamente para que a morte visite quem me fez sofrer. Perdoar? Deixe isso para os monges budistas ou para as passagens bíblicas. Se nem Jesus perdoou Judas, por que eu haveria de ser tão virtuoso?
O remédio é um só: arrumar as malas e partir para o Rio.
O Rio de Janeiro é o lugar onde a gente volta a se sentir humano. Aquelas pessoas escandalosamente lindas, aquele sol que faz a vida pulsar na pele, o cheiro de sal... é a digital da felicidade. Se a vida virou um samba-canção da Maysa, mude o cenário. Vá para o Rio.
Vá de coração aberto, disposto até a um perdão hipotético (caso receba aquele SMS de desculpas que nos faz sentir culpados por sermos tão implacáveis). Mas, por via das dúvidas, não esqueça: protetor solar, óleo de bronzear e um hidratante maravilhoso na bolsa.
Afinal, a gente nunca sabe o que — ou quem — nos espera na próxima esquina de Ipanema.
P.S.: O importante não é não sofrer. É sofrer em grande estilo
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