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domingo, 15 de agosto de 2010

surtos....


Sempre achei de quinta categoria aquela cena de filme em que o sujeito fica sozinho na cozinha, de madrugada, sentado no chão fumando um cigarro. Deprimente? Ao extremo. Pois bem, mordo a língua: meu fim de semana foi exatamente esse roteiro de filme B. Se estivesse inspirado, diria que parecia algo dirigido por Mike Newell, com aquela luz melancólica de O Sorriso de Mona Lisa. Mas a verdade nua e crua é que estava mais para um capítulo histriônico de Maria do Bairro. Drama puro. De cortar os pulsos.Em meio ao caos, descobri utilidades inéditas na arquitetura doméstica. A banheira, por exemplo, vira uma excelente cama quando o trajeto até o quarto parece longo demais. Fiquei ali, num revezamento prático — e absolutamente nada elegante — entre o vaso sanitário e as bordas da banheira. A maioria das pessoas detesta vomitar, mas ali, no chão do banheiro, entendi que o corpo é sábio. Eu não estava apenas devolvendo excessos; estava expurgando o mundo. Cada espasmo levava embora a raiva acumulada em meus 1,75m de altura e aliviava uma cabeça que pesava uma tonelada, como se um elefante de carga tivesse pisado nela.A quem culpar? Ninguém. A culpa é sempre da nossa própria soberba em nos deixarmos levar por momentos raivosos. Passar mal, no fundo, é o corpo cobrando a conta da nossa indignação com os outros.Depois de horas nesse purgatório, a salvação veio em forma de Plasil na veia e um bom calmante. Não é a saída mais ortodoxa, confesso, mas o efeito é quase psicodélico: o mundo fica rosa, depois amarelo, ganha bolas coloridas e, finalmente, o apagão misericordioso. O problema é acordar no dia seguinte. E o pior: ter uma entrevista agendada numa rádio local para falar justamente sobre o que eu supostamente domino — cultura e comportamento humano. Como alguém consegue falar de elegância comportamental quando está em frangalhos? Não consegue. Mas o profissionalismo exige. O remédio foi uma caminhada matinal e litros de água para tentar trazer a alma de volta ao corpo.Para coroar o domingo, uma festa. E festas são perigosas porque sempre incluem "aquela" pessoa. Alguém que você não suportaria ver nem a quilômetros de distância, mas que decide surgir ao seu lado, gritando e querendo aparecer a qualquer custo. Falta de berço é um problema seríssimo. Diante da cafonice alheia, a única reação fina é a retirada estratégica. Voltei para casa, para o meu confidente de louça branca e para a banheira-cama. Minhas turbulências nunca são brisas, são tsunamis que devastam até os pensamentos.O resgate veio no fim do dia, cortesia de amigos finos que não suportavam me ver trancado cultivando o rancor. Fui raptado — com o meu consentimento, claro — para ajudar na arrumação do sítio deles. Se funcionou? Não sei. Só sei que trocar a raiva do mundo por uma semana espanando poeira e carregando caixas parece uma terapia bem mais barata. E assim, entre um expurgo e uma faxina, a vida continua

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reminiscência de vida.


Ele entrou no quarto sem pressa, com aquela lentidão típica de quem não tem mais compromissos com o relógio. Olhou ao redor. A única coisa ali era a velha cadeira feita pelo avô — um móvel de respeito, daqueles que não se fabricam mais. Mas o que realmente chamou sua atenção foi o baú empoeirado em cima da penteadeira. Estava esquecido há anos.O objeto havia virado um depósito de bugigangas desordenadas. Mas, antes de acumular tralhas, aquele baú tinha sido o receptáculo de muito estoicismo. Um "aguentar" silencioso que ele, por pura vaidade ou medo do que encontraria, vinha se recusando terminantemente a abrir. Sofrendo de uma crônica falta de vontade — e talvez de amor por si mesmo —, sentiu um incômodo profundo e ficou ali, paralisado, digerindo o passado por horas.Tomado por uma coragem súbita, finalmente pegou a caixa. Era uma peça bonita: 25 centímetros de altura por 50 de largura, feita de sucupira maciça com suas iniciais entalhadas. Um presente de nove anos de idade, época em que os homens da família achavam que se devia guardar memórias para o futuro. Bobagem. Com o passar dos anos e a correria boba da vida, ele acabou jogando ali apenas o que realmente importava: lembranças de pessoas que viu uma única vez, livros lidos à exaustão, recortes de jornais de épocas marcantes e, claro, as conquistas amorosas.As fotografias de família estavam bem arrumadas, presas por uma fita de cetim marrom. Já as fotos do seu grande amor... essas ganharam um nó de barbante rústico, amarradas junto às cartas que ele nunca teve a audácia de enviar ao destinatário. Faltou coragem.Havia também o caderno de anotações. Capa dura, verde, com o desenho de um ipê amarelo que ele mesmo havia copiado ao vivo da fazenda do avô. Na capa, em nanquim elegante: “Meus Pensamentos”. A fazenda já tinha sido vendida há décadas, e todos os planos feitos à sombra daquela árvore foram embora com os novos donos.Vasculhando o passado, resgatou uma mantilha da bisavó e um missal em latim. Ao lado, uma fita cassete da Dalva de Oliveira, que ele havia confiscado da mãe porque gostava daquela voz sofrida, cantando amores bandidos e impossíveis. Encontrou o convite de casamento de uma amiga — uma festa à qual ele não compareceu por um motivo fútil que o tempo já apagou. O papel estava amarelado, mas as letras douradas ainda resistiam. Havia a vela da Primeira Comunhão com o desenho do cálice e o terço da infância.Abaixo do sagrado, veio o profano do cotidiano: recibos sem importância, contas de luz e telefone pagas, canetas sem tinta e um santinho do Sagrado Coração de Jesus.Os olhos dele começaram a lacrimejar. Lembrou-se de tudo com uma clareza desconfortável. Aquele baú era uma espécie de Caixa de Pandora sofisticada, libertando seus fantasmas, suas fraquezas e suas virtudes. Sobrando apenas a esperança, que é o que resta quando o resto acaba.Passei a mão pela madeira, sentindo o incômodo da poeira nos dedos. Abriu de vez e começou a esvaziar o móvel. Cada objeto retirado era um flashback nítido. O choro contido virou um desabafo legítimo, daqueles que a gente não consegue disfarçar. No final, sobre a mesa, sobraram apenas as fotos e as cartas amarradas com barbante — o registro do amor que não foi vivido.Quando deu por si, as lágrimas tinham sido substituídas por um sorriso aristocrático, sereno. A caixa estava vazia e ele, tomado por uma sensação de vitória. Afinal de contas, a única coisa que havia restado de toda aquela bagunça era a elegância da sua própria biografia.

domingo, 18 de julho de 2010

E quando a esperança vai embora?



E quando em um determinado momento, a gente acaba por acreditar que tudo poderia ter dado certo?
E quando fazemos planos mirabolantes, engraçados. E no nosso devaneio e por questões de horas tudo acaba!
Mas isso é quase sempre uma regra maldita, o que chamamos de vida real!
Sempre tem alguém ou alguma coisa que te puxa para a realidade, fazendo você ficar totalmente sem noção de tempo e espaço.
Neste momento a dica é: cortar os pulsos, tirar a roupa e sair pelado pela rua gritando e maldizendo tudo o que não foi profetizado. (correndo um serio risco, de ser preso por atentado ao pudor). E quanto ao seu pudor, ninguém será preso? Ninguém ira impedir que por mais um momento a sua esperança foi embora?
Isso deveria ser claro na nossa constituição, parágrafo único, ou artigo 1º;

“NINGUEM OU QUALQUER COISA, PODERA TIRAR A SUA ESPERANÇA!
CABENDO A PENA DE RECLUSÃO OU PAGAMENTO AO INDIVIDUO QUE SOFRER TAL PROCEDIMENTO, OU RETALHAÇÃO DA MESMA!”

O ser humano que perde a esperança perde tudo! Perde o viço, alegria de viver, a espontaneidade e a criatividade.
Na verdade o que move o mundo é ideal, e quanto “mais” melhor. E o ideal não é esperança?
Sejamos práticos, o Titanic, por exemplo, seu ideal era chegar à Nova York, e por pura falta de sorte, ele colide com o um Iceberg. A esperança era que todos chegassem à Nova York.
Mas o ideal do Iceberg era justamente colidir com o navio. Ainda bem que foi quebrado, porque senão eu mesmo iria derretê-lo, nem que fosse com um maçarico.
Todo ser humano deveria ter muitos ideais, e sufocar em acréscimos.
Não seriam tão ruins assim, afinal acréscimos também são esperanças.
A esperança que iremos levantar, e o dia serão mais do que bom, será maravilhoso.
A esperança que poderemos andar pelas ruas sem sermos, assaltados ou simplesmente abordado com uma arma em punho.
A esperança de já nascermos com o conhecimento pronto, e cada um naquilo que mais gosta de fazer (realizar na vida financeira também)
Isto é, a esperança é o que eu tenho que passar a viver, e não apenas me prometer.
Esta é a grande diferença, o que fica torna esperança e o que vai embora não agrega nem a nada e nem a ninguém. E nos só podemos nos agregar ao que desconhecemos, porque o que já sabemos e vivemos já não é mais esperança! É apenas a vida real!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Só um tapinha não dói....



E quem disse que dói? Às vezes no amor é assim, uns acabam a relação apenas com uma carta, (em dias atuais por email. Ou MSN), e ai o que ficou sem entender, escreve um texto para mostrar o quanto é superior, no que o que terminou responde sem muita coerência, e depois vem a treplica. Este deu um tapa com luvas de pelica, e não feriu ninguém.
E a Argentina aprova a união estável de casamento gay, enquanto Antonio Anastásia pede seriedade no caso Eliza Samudi. E acaba esquecendo-se dos professores que estão se matando em sala de aula porque infelizmente, neste caso ele não pode pedir seriedade, pois não tem nem comprometimento.
Na verdade o Senhor governador quer mesmo crianças sem educação.
Enquanto o congresso vem preocupado com o divorcio, e diga se de passagem, já que vai casar porque pensar em separar? Mas como eles mesmos dizem: Para viabilizar e desafogar os casos de separação no país.
Acabam por esquecer, que destes casamentos nascem crianças, que por sua vez vão crescer revoltados.
E ai vai para o congresso que pai e mãe não têm direito mais o direito de corrigi-los quando estão errados.
Como diria a minha avó: “O que cura birra de criança é tamanco português”!
Sou a favor da correção com umas palmadas e castigo, e nem vem com este papo furado de quem ama educa. Quem pariu Matheus que o embale e sabe o fardo que vai carregar.
Quem criou esta lei estava pensando em qual psicologia? A Freudiana? Porque se foi hoje vemos coisas absurdas em relação à agressão sexual cometido por adultos que foram crianças um dia.
E nem me venham os sociólogos xiitas que defendem a velha filosofia, de: “veja bem a condição social”. Conheço muita gente que saiu do morro e de periferia e deu certo na vida.
Tenho certeza que os pais alem de amor deram umas boas palmadas.
Na verdade a nossa constituição e o estatuto do menor e do adolescente, esta mesmo querendo criar grandes heróis.
No qual não sou a favor do espancamento, e agressões piores que envolva crianças, e também penso que pessoas que não tem condições emocionais para estar junto com crianças nem deveriam tentar ter filhos, adotar, e participar da vida social deste ser.
Como sempre digo o que adianta criar leis se não se tem seriedade para colocar em pratica?
E quem nunca levou umas palmadas quando criança?
E como diria a musica: “Saiba! Todo mundo foi neném, Einstein, Freud e Platão, também. Hitler, Bush e Saddam Hussein...
Saiba!Todo mundo teve pai,Quem já foi e quem ainda vai,Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé... Vera Lúcia Sant`Anna Gomes, Rodrigo Fernandes, Guilherme de Pádua,Paula Thomaz,Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Suzane Richthofen, Daniel, Cristian e goleiro Bruno.

quarta-feira, 14 de julho de 2010



Para: Mery...Tania...Lucia...Bethe...Denise!

"As avencas estão lindas, mas o dias floridos são mais belos!"

Domingo no Parque!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pintar com palavras...


Ler me causa prazer... Leio de tudo, de propaganda a jornal velho, de clássicos literários a revistinha gibis.
Acho que leio e escrevo por ter um grau de dislexia, nada muito grave, mas que acabou me levando a ter outro dom que é a minha parte motora pelo desenho. Que também não o faço muito bem.
Mas o que mais aprendi com isso, foi a criticar, no entanto não se aprende.
Não sei ao certo, mas consigo visualizar e codificar de forma rápida um texto, e também consigo de forma interessante juntar um ao outro e dar uma conotação do que dois textos distintos querem nos dizer. Não me perguntem como o faço, só sei que faço.
Mas ser critico-me da um prazer maior do que o prazer em ler, a forma em que movimento os meus braços, e imponho meu discurso faz parecer uma grande cena de teatro. Onde todos já ficam esperando a deixa, para ver onde os meus olhos estão direcionados para começar a falar sobre tal assunto ou pessoa.
Isso me diverte, nunca me chateia, acho engraçado, porque defendo a minha opinião única, embasado naquilo onde não penso e nem vivencio.
Fico imaginando sempre duas visões para os relatos... Também não sei como consigo, mas o faço dignamente, sempre acho que uma garrafa de coca cola vazia e uma garrafa de coco cola cheia de água com flores dentro ganha uma nova visão, a única que poderia ser. A de uma jarra.
Às vezes leio coisas tão peculiares, simples sem grande importância e transformo aquilo em uma grande obra literária, isso porque o que se escreve tento transformar em uma grande pintura plástica, em um grande cenário de ilusões. São de pequenos e insignificantes textos que na verdade acha uma grande obra.
Como em textos complexos demais, com palavras eruditas (que minha dislexia não compreende) piora o texto que ali leio, porque ele não tem um significado próprio e nem uma característica de quem escreve.
Triste para quem escreve, essa falta de oportunidade de identificar naquilo que escreve pessoas assim está fadada a serem sempre mal compreendidas e interpretadas.
Então quando for escrever algo lembre, escreva como se estivesse pintando com palavras, agrade seus olhos e os meus, porque nunca precisarei criticar uma obra... Ela apenas por si só será uma obra!

domingo, 11 de julho de 2010

Amor em pedaços


Quando acaba o amor, acaba tudo. O mundo nos parece um abacaxi, feio e totalmente cascudo com aquela grande coroa de espinhos.
A melhor coisa que fazemos nestas horas e descontar em coisas que nos leve a sentir prazer e para isso só mesmo achando a vida um doce.
Então pegue 1 abacaxi amassado e cru;
Desconte toda sua raiva pelo que passou, com o amor em questão e amasse bastante, vale xingar mal toda a sua arvore genealógica, porque as panelas não falam nestas horas.
Depois, de sofrido todo o amargor da perda pegue ½ k de açúcar; para lembrar os melhores momentos que passaram juntos, dos sonhos que construíram dos que ainda estavam por vir, lembre das viagens em que vocês fizeram e aproveitaram a cada momento.
1 colher de manteiga; para não ficar apenas no doce e enjoativo sentimento da perda e das lembranças, e lembre o tanto que você ou ele (a) foram escorregadios e tentaram fugir um do outro. E coroe este momento com 1 coco ralado e 6 ovos;
Misturar tudo e levar ao fogo, e lembre todo momento quando a relação era quente e tinha todo calor humano que deve ter entre duas pessoas que realmente se gostam, mexa até soltar da panela, afinal quando o doce estiver pronto você lembrara como eram unidos e gostavam de fazer tudo junto.
Depois, do doce pronto, pegue 3 xícaras de farinha de trigo, e coloque em um recipiente onde possa expurgar toda a sua raiva novamente, quando lembrar que você foi trocado ou que simplesmente o amor acabou sem mesmo saber como começou. Novamente pegue 1 xícara de açúcar;mas agora não mais para lembrar o que passaram, mas sim o quanto foi feliz naquele momento, só você e suas realizações, o quanto fez o bem para aquela pessoa que da noite para o dia acaba lhe abandonando.
2 a 3 ovos; e 1 colher de manteiga; 1 colher de pó - Royal; e amasse novamente, e nada de descontar suas raiva na massa, lembre que o amor é próprio e não dividido. Amasse, faça força para se sentir forte e dar a volta por cima. Lembre o quanto é especial e que agora vai ter que começar tudo de novo.
Tudo amassado divida a massa em duas partes, para lembrar que o amor tem que ser dividido. A mesma proporção para um e outro, em uma relação ninguém ama demais ou de menos, ma o mesmo tanto.
1º forre o tabuleiro, com uma parte da massa, abra bem fina. Recheie com o doce de abacaxi que é todo o amor perdido, cubra com o restante da massa, que é o amor renovado pelo menos o seu, sua auto-estima seus conhecimentos e seu poder de conquista, aprenda com o velho amor. Leve em forno brando; cortar em quadradinhos e sirva em uma bandeja de vidro.
E chore o tempo que for necessário para esquecer este amor em pedaços.