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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Seu destino no jogo de búzios...


Não me venham com divãs. A psicanálise é um tédio, uma coisa de gente que gosta de sofrer com hora marcada. Eu prefiro a minha cartomante, ou melhor, essa senhora que joga búzios e tem corpo de nona italiana. É muito mais chique. Ela atende a gente como quem espera um filho desgarrado. Dá sermão, passa a mão na cabeça e, no meio de uma chacoalhada e outra, resolve a vida. Porque, vamos combinar: ninguém procura o sobrenatural quando está ganhando na loteria ou com o amor debaixo do braço. A gente vai quando a coisa desanda. E lá, o mundo ganha cor. O 'fulano' vira um perigo, o 'cicrano' vira um invejoso de plantão e, de repente, você descobre que sua vida não anda porque está 'amarrada'. É um alívio! A culpa deixa de ser sua e passa a ser da zica alheia. Aí vêm os banhos. Saio de lá parecendo um pote de tempero ambulante, exalando canela, açúcar e esperança. É ridículo? Talvez. Mas é de um romantismo que essa modernidade asséptica e cheia de termos técnicos nunca vai entender. Entre um diagnóstico de terapeuta e uma vela de sete dias com mel para 'adoçar' o bofe, eu fico com o mel. No mínimo, a gente sai de lá com a alma lavada e um perfume muito melhor do que o de um consultório fechado. No fim das contas, a gente só quer que alguém diga que o amor está chegando, mesmo que ele venha a pé e demore uma eternidade