quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Porto: Um Fado para Chamar de Meu
Navegar é preciso, já dizia o poeta, mas desembarcar? Ah, desembarcar exige um tipo de coragem que não se vende em free shop. Chegar ao Porto foi um desses saltos no escuro que a gente dá quando percebe que a vida, coitada, anda precisando de um sacolejo ético e estético.
Pousei com aquela ansiedade um pouco cafona, confesso, de quem busca um rosto mineiro na multidão, um cheiro de Minas, um jeito de Campos Gerais. Não encontrei, claro. O que encontrei foram dois policiais com um sotaque que parecia música antiga — um fado que eu nem sabia que lembrava a letra. Foram gentis, o que hoje em dia é a maior das elegâncias.
Passar pela alfândega é o grande divisor de águas: de um lado você é uma mala e um passaporte; do outro, o mundo resolve se abrir. E lá estava ele. Aquele sorriso largo, o rosto que eu vim buscar do outro lado do oceano. Senti aquele calafrio na espinha que cashmere nenhum resolve. Um abraço que parou o relógio, um beijo e a frase: "Bem-vinda ao Porto". Pronto. A turbulência interna pediu licença e foi embora.
O Porto não tem pressa; ele se entrega aos poucos, como quem sabe que é irresistível. Tem o grito das gaivotas ( para mim ainda um bicho pre histórico)— a trilha sonora oficial — e um sol tímido, desses que fingem que não queimam, mas que fazem um bem danado à alma.
Fomos seguindo o GPS, mas se a gente errasse o caminho, que importância teria? Se eu me perdesse, acabaria me encontrando naquelas ruas que parecem cenário de livro, naquelas fachadas de azulejos que a gente cansa de ver em revista, mas que, ao vivo, têm outro sabor.
Vi a Rotunda da Boavista, com aquele monumento aos heróis de guerra que é um deslumbre. E depois, entre um gole de vinho e outro, fui fazendo do Porto a minha casa. A Rua das Flores e a Santa Catarina são para o consumo, as Galerias de Paris são para quem ainda tem fôlego aos 20 anos, e a Almada e os Aliados têm aquela imponência que impõe respeito. Mas Cedofeita... ah, Cedofeita é o coração da cidade, mesmo quando chove (e como chove!).
Dizer que é divino é pouco. Divino mesmo é descobrir que a gente viaja para ver o mundo, mas o que vale a pena — o que fica mesmo na memória — é quem está segurando a nossa mão enquanto a vida passa pela janela. O resto, convenhamos, é apenas Paisagem!
sexta-feira, 18 de julho de 2014
A Gente se Perde no Meio do Caminho
Outro dia, na cadeira do dentista — o único lugar onde a gente é obrigado a ficar quieta e pensar na vida enquanto alguém mexe no que é nosso — me peguei divagando sobre essa mania que as pessoas têm de esperar sem saber exatamente o quê. É um perigo. Porque, convenhamos, se você não sabe o que procura, quando encontra, não sabe o que fazer com aquilo. É como ganhar um presente caríssimo e não ter ocasião para usar. Uma bobagem.
Ouvi um burburinho sobre a cidade, gente reclamando dos rumos que as coisas tomaram. E parei para pensar: mas o que foi mesmo que a gente perdeu no meio do caminho? Para saber o que falta, é preciso lembrar de onde viemos. E a nossa história, vamos falar a verdade, foi sendo escrita no improviso.
Trouxeram gente de fora para as colheitas. As famílias cresceram, o trabalho acabou, mas a coragem de ir embora se esgotou antes do dinheiro. E o que fizeram os nossos administradores? Nada, meu bem. Faltou aquela "fabriqueta", um emprego qualquer, um plano que fosse. Deixaram as pessoas se amontoarem nos arredores, como se a cidade fosse um armário que a gente vai entulhando e finge que não vê a bagunça.
Depois, para completar o cenário, mandaram o presídio. E com ele veio o pacote completo: famílias, amigos, o movimento todo. Esqueceram apenas de um detalhe "bobo": policiamento, segurança, uma promotoria que batesse o pé. É aquela velha história de convidar para o jantar e não por a mesa.
E os nossos vereadores? Ah, esses são um espetáculo à parte. No palanque, juram ser os fiscais do povo. Mas, na prática, transformam a Câmara num "Xou da Xuxa". É beijinho para cá, ringue de luta livre para lá, um bate-boca sobre quem fez menos. No fim das contas, esquecem que estão ali para representar a gente, com dignidade, e não para dar show.
No final desse tratamento de canal emocional, a pergunta que fica é: o que esperar quando se está esperando? Talvez a resposta seja que a gente se perdeu tanto que nem sente mais falta do que era bom. E o pior cego, você sabe, é aquele que não quer ver que a casa está caindo — mas continua esperando o próximo capítulo da novela
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
“Obscenico” é um corpo que deseja e emite desejos. É um corpo que poetiza seus movimentos performáticos, um ser que observa e quer e tem a necessidade em ser observado.
Um corpo que faz leitura de outros corpos, com o lirismo de Guilherme Verissimo, e seus fragmentos textuais...
Que corpo?! Em qual corpo?! OBSCENICO... A POETICA DO CORPO.
domingo, 3 de março de 2013
... O domingo perde por ser um dia de semana normal, perde o amanhecer das pessoas apressadas, perde o meio dia agitado esperando que o dia aconteça e que a tarde chegue logo, para chegarmos em casa e ficar jiboiando na frente da TV. perde pelo entardecer com uma noite de dever cumprido e de um dia que adormece querendo que aconteça tudo novamente.
Quando crianças adoramos o Domingo, por podermos ir na missa matinal, ver as pessoas com seus mais belos trajes, simplesmente para ter uma hora com Deus. Depois um sorvete quando se esta muito quente ou então um passeio pela praça da cidade. Como a gente perde por perder em ser criança, com seus jogos de roda, nossas brincadeiras de ciranda nosso primeiro amor. A vida adulta nem sempre nos da a mesma ingenuidade de uma criança, um olhar sem malicia, uma traquinagem ou qualquer outra coisa que criança goste e faz.
a vida adulta te coloca sempre em xeque mate, com algumas responsabilidades que nem mesmo entendemos, coloca a gente para procurar coisas que nem sempre precisamos e necessariamente ter alguém para partilhar estas coisas que um dia nem sabemos o porque adquirimos.
Assim somos um domingo, sem muita alternativa, com alguns dias no meio. Mas, o que mais acho chato no domingo é não ter com quem o dividir. Correr ou andar de bicicleta pela manhã, ficar sentido o calor do sol...(o que faz muito bem a pele e a saúde) voltar para casa tomar um café, depois voltar para cama e fazer sexo... sim sexo! Pela manhã é maravilhoso, revigora e oxigena o cérebro, sem dizer que sempre aprimora o nosso processo criativo.
Depois um bom banho, e ai almoçar juntos em um restaurante a beira mar... ou campo, ou sei la onde... mas deixe claro que neste momento no mundo só existe a pessoa amada e mais ninguém...Não se divida e nem tente fazer deste momento um chato domingo, então evite olhar as horas, reclamar da empregada e falar algo da relação que não esta dando certo.
O domingo é assim, chato... já perceberam que quando ficamos adulto, o domingo nem se atreve a movimentar, se tornar rápido e como um dia comum? E o pior quando estamos sozinhos ele custa passar, eu me sinto um verdadeiro assombração me arrastando pelo dia a corrente do ócio.
Mas como é bom ter alguém para falar de arte, mesmo quando entendemos quase nada, ou falar de Chico Buarque, odiando Chico, ou então falar de coisas nada haver com nada. Como é bom olhar para os olhos que te admira e ficar ali horas so observando. A cada expressão, a cada sorriso, a cada pergunta e a cada indecisão.... o domingo seria mais normal se não tivesse tudo isso, mas seria especial se tivesse....cheiro de bolo, namoro no portão, goiabada com queijo, macarrão frango assado, coca cola, parque de diversão, e os olhos mais lindos que já vi(os olhos de mar) o domingo seria lindo se tivesse tudo desta forma.
Não tenho mais os olhos de mar, que era o que mais queria neste momento, mas como não tenho a goiabada, o bolo, a quem observar, não que tenha perdido, apenas não os tenho mais.... embora eu não sei o porque, mas a minha cabeça e o meu coração insiste em lutar e desejar as mesmas coisas de um Domingo Chato!
sábado, 16 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Inveja é Inveja, e Ponto.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Na Fossa, mas de Salto Agulha
Quando tudo parece que não tem mais como dar errado, e a vida te dá aquele golpe baixo — aquele que faz você desacreditar em tudo, especialmente em quem você amava — o que fazer?
A primeira regra é: ignore a autoajuda barata, rivotril (ja percebram que amo?!). Vá direto para a poesia. Sofra. Sofra tudo o que tem direito. Chore, dramatize, sinta-se a maior vítima de uma injustiça social e amorosa. Mas — e este é o ponto crucial — faça isso com elegância.
Nada é mais deprimente do que uma pessoa sofrendo que a torna desleixada. Comer como um porco ou parecer um moribundo? Jamais. Esteja sempre em cima do salto mais fino que tiver no armário. Se, por um acaso do destino, você cruzar com o "ser amado", ele precisa olhar para as suas pernas — alongadas e impecáveis — e pensar: "Eu nunca tinha reparado nisso?".
Nesse momento, você tem o poder. Pode cravar o salto no peito dele para que ele entenda o que é dor, ou simplesmente mostrar que, mesmo em frangalhos, você continua uma mulher deslumbrante. Eles, os homens? Pobres coitados. São fracos demais para assumir um sofrimento de relação. Educados na cartilha do Marquês de Sade, sentem um prazer quase infantil em nos fazer sentir um lixo.
Eu tenho um método. Me jogo no abismo por exatamente sete dias. Prometo a mim mesmo sofrer até a morte. No oitavo, levanto. Ainda dói, claro, mas já começo a torcer discretamente para que a morte visite quem me fez sofrer. Perdoar? Deixe isso para os monges budistas ou para as passagens bíblicas. Se nem Jesus perdoou Judas, por que eu haveria de ser tão virtuoso?
O remédio é um só: arrumar as malas e partir para o Rio.
O Rio de Janeiro é o lugar onde a gente volta a se sentir humano. Aquelas pessoas escandalosamente lindas, aquele sol que faz a vida pulsar na pele, o cheiro de sal... é a digital da felicidade. Se a vida virou um samba-canção da Maysa, mude o cenário. Vá para o Rio.
Vá de coração aberto, disposto até a um perdão hipotético (caso receba aquele SMS de desculpas que nos faz sentir culpados por sermos tão implacáveis). Mas, por via das dúvidas, não esqueça: protetor solar, óleo de bronzear e um hidratante maravilhoso na bolsa.
Afinal, a gente nunca sabe o que — ou quem — nos espera na próxima esquina de Ipanema.
P.S.: O importante não é não sofrer. É sofrer em grande estilo
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