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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Inveja é Inveja, e Ponto.

Outro dia escrevi sobre a inveja. Muita gente tenta suavizar com essa bobagem de "inveja branca", como se o adjetivo limpasse a cobiça. Não limpa. Inveja é inveja e estamos combinados. É um sentimento humano, desses que a gente carrega na bolsa junto com o cigarro, queira ou não. Eu mesmo, sendo tão humano e pecador quanto qualquer mortal, tive meu momento. Olhei um casal em plena Copacabana e a pergunta veio fulminante: "Quando é que terei a mesma oportunidade?". Entrei no mar, pedi a Iemanjá, mas logo percebi que o paraíso já tem dono — e não sou eu. O que me causa desconforto, na verdade, é a beleza alheia. Aquela frase da música da Fafá, que beira o cafona mas é um luxo, me faz querer ter sido ela por cinco minutos só para cantar aquilo. Ou ter a voz da Maysa em "Bom Dia Tristeza", ou o drama de Dalva de Oliveira. Escuto a Bethânia cantando "Gente Humilde" e choro, porque não fui eu quem escreveu aquela perfeição. Tenho inveja de pintores, de poetas, de gente que consegue traduzir o mundo melhor do que eu. Dá uma vontade de fugir de si, de ir embora sem destino, só para não ter que encarar o fato de que não fiz nada daquilo. Aí a gente lembra da Adriane Galisteu dizendo que no fundo do poço tem uma mola. É cafona? Talvez. Mas a gente se joga e tenta o impulso. Nem sempre funciona, mas tentar é o mínimo. Fellini, que entendia de beleza como ninguém, dizia: "Para nunca deixarmos que a beleza fuja dos nossos olhos, senão perderíamos o prazer de enxergar". Então, aceite meu conselho: tenha seu minuto de inveja. Só um minuto. Cobiçar a pessoa alheia é um erro tático e um pecado divino. Mas invejar o talento e a beleza? Isso é ao contrário um erro divino e um pecado tático.O que nos resta para continuarmos prestando atenção no mundo

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Na Fossa, mas de Salto Agulha

Quando tudo parece que não tem mais como dar errado, e a vida te dá aquele golpe baixo — aquele que faz você desacreditar em tudo, especialmente em quem você amava — o que fazer? A primeira regra é: ignore a autoajuda barata, rivotril (ja percebram que amo?!). Vá direto para a poesia. Sofra. Sofra tudo o que tem direito. Chore, dramatize, sinta-se a maior vítima de uma injustiça social e amorosa. Mas — e este é o ponto crucial — faça isso com elegância. Nada é mais deprimente do que uma pessoa sofrendo que a torna desleixada. Comer como um porco ou parecer um moribundo? Jamais. Esteja sempre em cima do salto mais fino que tiver no armário. Se, por um acaso do destino, você cruzar com o "ser amado", ele precisa olhar para as suas pernas — alongadas e impecáveis — e pensar: "Eu nunca tinha reparado nisso?". Nesse momento, você tem o poder. Pode cravar o salto no peito dele para que ele entenda o que é dor, ou simplesmente mostrar que, mesmo em frangalhos, você continua uma mulher deslumbrante. Eles, os homens? Pobres coitados. São fracos demais para assumir um sofrimento de relação. Educados na cartilha do Marquês de Sade, sentem um prazer quase infantil em nos fazer sentir um lixo. Eu tenho um método. Me jogo no abismo por exatamente sete dias. Prometo a mim mesmo sofrer até a morte. No oitavo, levanto. Ainda dói, claro, mas já começo a torcer discretamente para que a morte visite quem me fez sofrer. Perdoar? Deixe isso para os monges budistas ou para as passagens bíblicas. Se nem Jesus perdoou Judas, por que eu haveria de ser tão virtuoso? O remédio é um só: arrumar as malas e partir para o Rio. O Rio de Janeiro é o lugar onde a gente volta a se sentir humano. Aquelas pessoas escandalosamente lindas, aquele sol que faz a vida pulsar na pele, o cheiro de sal... é a digital da felicidade. Se a vida virou um samba-canção da Maysa, mude o cenário. Vá para o Rio. Vá de coração aberto, disposto até a um perdão hipotético (caso receba aquele SMS de desculpas que nos faz sentir culpados por sermos tão implacáveis). Mas, por via das dúvidas, não esqueça: protetor solar, óleo de bronzear e um hidratante maravilhoso na bolsa. Afinal, a gente nunca sabe o que — ou quem — nos espera na próxima esquina de Ipanema. P.S.: O importante não é não sofrer. É sofrer em grande estilo

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Celebrar a vida ?

"Só hoje me dei conta de que celebrar a vida é virtude de alguns e sabedoria para outros. Celebrar a vida demanda tempo, divertimento, pessoas e horas de observação. Mas não uma simples observação: uma contemplação. Uma contemplação dos dias de chuva, por exemplo. Ver a formação das nuvens, o entremeio do branco com o cinza, e o escurecimento total do tempo. Logo, um vento que sopra devagar para a formação das nuvens; depois, um vento mais forte anunciando a chegada da chuva. Então, as gotas caem timidamente, para logo depois ela resolver cair em abundância, lavando a alma, a vida, as janelas, os telhados, a rua, os carros e as pessoas que passam por ali. As árvores balançam com o vento como se estivessem dançando e agradecendo aquela maravilha de água (como invejo as árvores por ficarem soltas neste momento!). É uma celebração do viver e do estar vivo. Maravilhoso! É disto que estou falando: dessa celebração sem motivo, sem datas comemorativas; desta festa que a gente faz dentro de nós mesmos só por poder olhar para o dia e ver que o sol brilha. A rua parece um pouco mais longa, as pessoas estão menos ou mais carrancudas, a criança anda com seu triciclo na praça enquanto sua babá conversa ao celular — ali, a criança domina o próprio espaço. Outro garoto vai jogar bola, está um pouco mais falante que nos outros dias e ri de tudo o que escuta quando o assunto volta a se direcionar a ele. O café tomado depois de uma longa caminhada... como é saboroso! Acompanhado de risadas e pessoas que falam de outras pessoas e de si mesmas. Conversas inteligentes e bobas ao mesmo tempo; e, entre uma risada e outra, uma pausa para um gole do café que já esfriou na xícara. E aí me lembro dos garotos, que são sempre iguais: pensam dias a fio, têm sonhos de tamanhos diferentes, mas sonham — e como sonham! Pensam que querem ser protegidos, e nunca proteger; pensam em paixões, mas nunca em amores; pensam no desejo da vida e, o melhor de tudo... pensam em brinquedos! Quando a gente menos espera, lembra que a nossa vida poderia ser uma trilha sonora. Hoje, pelo menos a minha está mais para baladas do Kid Abelha. Pode ser que amanhã, quem sabe, ela mude para Paulinho da Viola, mas hoje não! Hoje ela quer brincar de ser artista, olhar no espelho e tentar decorar um poema, fazer com que eu pense em um amor que está longe e que vai chegar à minha porta para me fazer juras eternas. Hoje eu adoraria sair vestida com uma camisa listrada colorida e algum acessório supertransado; afinal, a minha vida está para uma trilha sonora colorida. Como invejo as pessoas que conseguem celebrar a vida! Como elas são felizes e conseguem contemplar várias coisas ao mesmo tempo: que o céu azul não é um simples azul-claro ou escuro, mas um azul-lilás... Que uma janela antiga, aberta expressivamente, transforma a construção no projeto mais harmônico do mundo. Que, entre o 'saber tudo' e o 'nada sei', existem os que entendem. Que olhos azuis variam entre tons de cinza e verde, causando uma confusão na paleta de cores. Pão saído do forno é mais saboroso que frio. E tudo isso só se aprende com experiência, sabedoria e contemplação!"

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

. Projetar e Expectativa: A Ordem das Coisas Em 2012, escrevi sobre relacionamentos e sucesso. Na época, eu tinha uma regra de ouro: eu primeiro. Ponto. Mas a vida, essa mal-educada, adora nos pregar peças. O fato é que eu estava apaixonado. — e continuo, porque ninguém deixa de gostar de alguém só porque o outro resolveu ser estúpido. Gostar não é torneira que se fecha. Pois bem. Em 2012, a criatura resolveu sumir do mapa. Espero que tenha sumido de si mesma também. Afinal, de que adianta sumir se não for para a Escandinávia, com a certeza absoluta de que você não foi junto? Se for para sumir e continuar por perto, melhor nem se dar ao trabalho. É falta de criatividade. O problema do sumiço alheio é o que ele faz com a gente: cria expectativa. E expectativa é aquela coisa perigosa de esperar um mundo melhor, pessoas deslumbrantes , lugares paradisíacos. Uma projeção de sonhos em cima de alguém que, no fim das contas, só conseguia enxergar o próprio umbigo. E o que a gente faz? O de sempre. Fica deprimida, sente-se a pessoa mais feia do mundo e se tranca num casulo — que a gente chama de castelo para manter a pose. Aí vem a trilha sonora: Maysa e Dalva de Oliveira, porque para sofrer de verdade tem que ter drama, tem que ter voz rasgada. É a melancolia projetada em 33 rotações. Eu achava que a felicidade era uma equação matemática de reciprocidade. Tolice. Quando só um gosta, a conta não fecha, mas a gente insiste no erro porque criar expectativa é, no fundo, o que nos mantém vivos. A verdade é que só sofre quem viveu algo bom. Só tem saudade quem teve história para contar. E a vida só segue porque a gente insiste em projetar, nos meses que virão, um futuro muito melhor que nesse passado que insistiu em nos dar o bolo. É o que resta, e é o que nos salva.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Conversando com um amigo, pela internet, acabei compartilhando com ele duas situações, que seria para mim estranha ou me causaria estranhamento em outras pessoas, no que apenas me causou pequenos comentários, absolutamente verdadeiros. Mas vale algumas dicas: Quando em um relacionamento, você começa a trabalhar e depois tem a possibilidade de melhorar, melhore! Outra dica é se o emprego for longe, e você por qualquer que seja a relação ou motivo não puder levar o seu parceiro ou parceira, faça a seguinte pergunta? - Eu tive uma ótima proposta de emprego, em crescer na carreira e ganhar muito bem, só que eu não posso levar o meu parceiro (a) porque ele acabou de arrumar um emprego, ou ele esta muito bem onde está. E isto por inúmeros motivos mais... Será que eu deveria largar tudo e ir embora sem sentir remorso algum? Se nesta resposta você ficar pensando se sim, engata logo um reverso da moeda, será que se fosse com ele, pensaria em mim? Ou simplesmente iria sem mesmo olhar para trás sem carregar alguma culpa uma única duvida, um remorso ou algo assim? Pode ter certeza que ele iria e não carregaria uma dose de culpa, cabe a nos saber interpretar isso. Os homens nasceram com este instinto aventureiro e gostam de buscar novas oportunidades, e não se prende a estas coisas do amor. Quem cria esta expectativa de princesa e príncipes é mulher, e vamos combinar que isso não combina nada com quem quer ganhar vôos. Quando isso acontece comigo, não penso duas vezes dou uma oportunidade para mim. E se alguém vier com este papo que isso é egoísmo, já respondo muito bem e feliz, faço! E não PE egoísmo é instinto de sobrevivência, porque na primeira oportunidade ele faria o mesmo. E quando se gosta a distancia nunca vira problema, é ate um animo para renovar o que com o tempo, vai esfriar. A verdade que os gays sofrem de um problema de útero enorme, esquecem de sair do casulo, e se jogar no mundo. Amam suas mães (o que esta certíssimo) mas tem uma sensação de posse, adoram falar inglês e pensam em Nova York como o grito da independência “gayzastica“. Pois bem, esta coisa de cuidar e tomar conta, sofrer, chorar, chantagear achar que o mundo vai acabar quando os filhos saem de casa, é papel da mãe. E só ela por direito pode sentir e fazer tudo isso. Este sentimento é tão nobre que mesmo sabendo que está errada, acaba sendo perdoada porque é Mãe. Mas já vou logo avisando, este papel só cai bem, em quem tem um útero pra gerar tanta dor. Em casos extremos fica parecendo papel apelativo pra quem quer provar alguma coisa para o mundo ou então alguém que não conseguiu se libertar de tal culpa!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Enquanto você dormia...

A nudez no quarto era um escândalo. Ali, sob o teto, o corpo dele — que antes tinha a passividade de um padre — subitamente se transformava. Era a metamorfose do bicho! Pernas e braços num bailado de luxúria, uma língua implacável desvendando o ser. O calor era um sopro do inferno em volta do corpo quente. Enquanto você dormia, eu ria. Sim, ria de puro desespero! E te beliscava, com a crueldade dos amantes, só para que você acordasse e sentisse aquela dor aguda, divina, que atende pelo nome de desejo. Chorei? Chorei em silêncio. Chorei porque você estava ali, com um vigor sexual de dar inveja aos mortos. O sexo era ótimo, sim senhor! O cansaço era a única verdade, a fricção íntima de dois corpos esgotados. Mas o seu sono... Ah, o seu sono absoluto me deixava maluco! Era uma traição. Naquele momento, você não era meu; era dono do seu sonho mais íntimo, de um território onde eu não punha os pés. Eu morria de inveja da sua paz! Tive vontade de fotografar tudo, de montar uma galeria da nossa obscenidade para que o mundo inteiro visse a minha felicidade. Porque, diga-me: o que seria das relações sem a memória do pecado? Sem as fotos não tiradas e as histórias engolidas? O ser exposto precisa de um público! Quem se exibe quer provocar o ódio, o amor, o bem e o mal. É a fina navalha! Andamos por ela, sangrando suavemente para não matar o outro. Manchar a alma por puro ego é um risco. O risco de perder o seu nome — você! Eu sentia medo, uma angústia que machucava a minha própria carne. Mas eu preciso disso! Preciso do seu 'sim', da sua mão percorrendo a minha pele molhada, dos seus dedos no meu peito. Eu queria a sua língua me penetrando as entranhas, o seu corpo me possuindo com a rigidez de um carrasco e a culpa de um seminarista. Você, ajoelhado no meu colo, dominando o impossível

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Alo... Alo Terezinha:


Quem foi que disse que para ser feliz precisa de muito? Conversando com uma amiga na academia — aquele templo de suor e lamentações — ela soltou o dogma definitivo: "Depois de certa idade meu amigo, a vida te dá duas opções: ou você escolhe ser feliz, ou escolhe ser magra. Os dois não cabem no mesmo jeans!" Nem preciso dizer qual foi a opção dela, né? Mas ela tem a sorte a favor: o marido faz tudo o que ela quer, a vida já está ganha, os filhos criados... agora o único boleto que ela tem para pagar é o da nutricionista. O projeto agora é ser "magra de berço", mesmo que o berço tenha sido há décadas. Triste mesmo é pra quem ainda está correndo atrás do prejuízo (e do prejuízo acumulado no bufê de sobremesas). Tem gente que faz tanta promessa que o pobre do Santo Antônio já deve ter pedido aposentadoria por invalidez. É santo enterrado de cabeça para baixo, santo no congelador, santo amarrado... Uma verdadeira sessão de tortura medieval com o pobre do "casamenteiro". E como ninguém é uma ilha (e ninguém quer viver à base de delivery individual), surgiu a técnica do pirulito. Dizem que, como o Santo Antônio carrega o Menino Jesus no colo, o segredo é balançar um saco de pirulitos e prometer a guloseima para a criança. A lógica é infalível: a criança abre o berreiro no ouvido do Santo pedindo o doce, e ele, para ter um minuto de paz, resolve o seu encalhe em segundos. É chantagem espiritual de alto nível! Mas tem gente que abusa. Uma conhecida fez um combo de pedidos: queria um marido rico, um emprego na área de formação, filhos e, de brinde, a felicidade plena. Eu, na minha santa ingenuidade, comentei: "Mas aí você está querendo que o Santo faça um milagre e ainda assuma a consultoria do seu RH?". No que ela respondeu, com a maior cara de pau: "Ué, mas eu nem pedi que o marido fosse bonito!". Claro que ela não conseguiu nada. Até o Santo ficou confuso com o edital de convocação dela. Esse negócio de felicidade é a maior mentira da vida (e olha que a Bethânia canta isso com uma convicção de dar inveja). A felicidade só não é completa porque a gente ainda não descobriu em qual shopping ela fica. Se tivesse endereço físico, a felicidade seria eterna, rica, elegante e aceitaria parcelamento em 12 vezes sem juros. E por falar em eternidade, tem gente que é de uma pureza assustadora. Acredita em amor de verdade, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e, o auge do delírio: o Príncipe Encantado. No cavalo branco. Com brasão e coroa. Gente, acorda! Príncipe de verdade só mora em Londres, Mônaco ou na Arábia Saudita (e esses últimos vêm com um harém de brinde). No Brasil, o Roberto Carlos não é Rei nem na Urca, a Xuxa já se aposentou do trono dos baixinhos, o Pelé entregou a chuteira e o sofá da Hebe virou peça de museu. Aqui, realeza mesmo só a Família Orléans e Bragança, que ainda discute se o trono é de Petrópolis ou de Vassouras enquanto a gente discute se o preço da picanha baixou. No fim das contas, quem entendeu tudo foi o Chacrinha. Ele não prometia príncipe, nem abdômen definido. Ele era o Rei do Cassino, o monarca da buzina e o imperador do bacalhau. Para quem ainda está aí tentando ser feliz na base da promessa e da alface: "Alô, alô, Terezinha! É um barato o cassino do Chacrinha!". Porque, no fundo, a felicidade não é um estado de espírito... é um estado de bagunça