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terça-feira, 23 de março de 2010

O doce sabor de viajar!



Viajar sempre foi o meu forte, arrumar as malas conhecer lugares pessoas e culturas (já estou ficando repetitivo)
Gosto de viajar, isso é fato! Conseqüências? Todas as que me dê prazer. E a melhor viagem não é apenas aquela em que você arruma as malas e parte rumo ao desconhecido.
A melhor viagem que temos é a astral, aquela que você sai do corpo e lembra-se das coisas que fez e o quanto aproveitou. (como gosto de transportar para os meus lugares favoritos! E quem não gosta?)
Quando estou netas viagens o que mais recordo é o tempo que criança, sinto gosto e o cheiro das coisas, tenho ate hoje na minha memória, o cheiro da minha avó (das duas) quando estava a beira do fogão cozendo para toda a família.
Minha avó materna fazia bolos e doces como ninguém... Ela cheirava açúcar (por isso tão doce) e seu nome claro, mais doce ainda. Balbina, mas carinhosamente, Doquinha, uma senhora corpulenta, que pronunciava muito bem as palavras, de mãos macias, voz mansa e cabelos prateados como a lua.
Até brava era carinhosa com os netos (pois com os filhos nem tanto), quando me lembro dela meus olhos ficam marejados e claro, e com uma vontade imensa em comer doce de cidra (que ela fazia, nos tachos de cobre), assentar no avarandado do quintal, e escutar meus tios e suas conversas sobre tudo, mas tudo mesmo.
Minha tia tem por Dom nos encantar com suas estórias e historias (por isso gosto tanto do mundo das artes) por minha mãe, e minhas tias: Cida e Ângela (sempre tive uma ligação forte com o universo feminino da minha família)
Minha avó paterna era deliciosa, cheirava a folhado, cozinhava as coisas de sal com tanta primazia que podia matar qualquer chefe de inveja, fazia tudo com tanto carinho que isso era maravilhoso, e assim como todos que cozinham com temperos, era apimentada brincalhona irreverente. Também tinha loucura com os netos, fazia tudo para agradar, mas brigava com a mesma intensidade que os amava.
Tenho certeza, que em uma briga entre pais e filhos, ela tomaria (tomava) partido dos filhos claro!
Os netos era sempre os errados. Minha avó paterna nos deseducava, nos beijava o tempo todo, nos ensinava a falar palavrões... Amava-nos!
To certa que no fim da vida ela achava que eu era a pior pessoa do mundo, o pior neto que ela já teve. (mas aos 86 anos com esclerose, qual seria o neto perfeito?)
Tenho por todos os meus familiares, um carinho enorme, cada um com sua importância e singularidade, mas por estas duas pessoas... Como tenho saudade, como as amava (e amo) e como o amor dói! Mas ter estas dores e sofrer por amores só mesmo viajando! E tendo sempre a sensação que somos uma letra de samba canção interminável!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Só as mães são felizes...


E só elas e mais ninguém sabe a dor de gerar alguém dentro delas e carregar, com tanto zelo em seu ventre um rebento que será para ela motivo de honra e gloria ou um verdadeiro desgosto. (ainda tenho minhas duvidas quanto a desgosto) mães nunca ficam com raivas e ódio genuíno mortal dos rebentos, por mais que este tenha se tornado um traste ou algo do gênero.
Mães amam incondicionalmente, choram, dá conselhos, tira os filhos do serio, invadem a privacidade destas pobres criaturas que são os rebentos. Mas sempre estão lá para o que der e vier... Ora fazendo as guloseimas, ora apenas querendo fazer um carinho ou apenas por estar lá... Cumprindo o papel de mãe!
Mãe tem por dom e não mais do que isso lembrar tudo, com memória de elefante, lembram de cada tombo, cada machucado, cada cicatriz que temos no corpo.
Minha mãe não foge a regra de nenhuma delas, faz tudo isso e muito mais... Sempre tivemos uma relação que nunca soube definir, se era de mãe e filho de amigos, nunca soube, e também nunca tive coragem de perguntar. (talvez o medo da resposta)
Sempre fomos muito unidos... Mas também sempre brigamos, e nossas brigas são as melhores, sempre baixo e muito calmo. Mas são filhos e mães cumprindo o seu papel.
Da santa a pecadora, mãe sempre vai tentar fazer pelos seus filhos o que mais prezam, educá-los, e este amor criará vida própria, quando você vier a ter um filho. Ai meu amor, cuidado... Porque estas senhoras que não fazem mais tricôs, não ficam nas cadeiras de balanço e fazem quitutes... Mas que gostam de academias, jogar carteado, hidrogisnastica, vai deseducar os seus rebentos e vai colocá-los sempre contra vocês... Os filhos de ontem até então ingratos, passa a serem os monstros. E os netos?... Os diamantes destas pessoas tão maravilhosas que chamamos de mãe.
Tenho certeza que até a Virgem Santíssima, faria o mesmo... Faria? Sim faria... E é só porque ela tinha que cumprir a profecia de Deus, pois, tenho certeza que se Jesus tivesse entrado nesta apenas por ser um lunático político, ela teria feito um verdadeiro inferno na vida dos reis da época, dos soldados nem se fala... Lutaria com eles como se fosse um leopardo defendendo a cria! E se tivesse netos... Teria um do de Jesus, e de sua esposa, pois ela seria a avó do ano, e ensinaria o neto tudo aquilo que Jesus fez (de errado claro) e ele fariam com seus pais... E assim o ciclo dos filhos e netos se perpetua!
Perpetua, vai ser sempre o discurso político de mãe e filhos, e suas brigas de geração e tudo mais... Mães, o doce dom de ser feliz sempre, ou padecendo sempre no próprio mundo, gosto da frase: “ser mãe é padecer no próprio inferno”! O delas? Claro que não... O nosso! Afinal quem ira sofrer sempre quando não dermos para fazer uma ligação? E quando não der para aparecer para o almoço? Elas... As Mães!

sábado, 13 de março de 2010

A vida de Mary Poppins!


Se a minha vida fosse um filme, seria, com absoluta certeza, Mary Poppins (o clássico de 1964 da Disney, estrelado por Julie Andrews e dirigido por Robert Stevenson). Uma babá com poderes mágicos que brota na casa do Sr. Banks para cuidar dos filhos dele. Ela chega voando, usando um guarda-chuva como paraquedas, e traz na mala brincadeiras que transformam aquela família.Um musical maravilhoso... Mas o que eu amo de verdade é o final: quando a Mary Poppins arruma as malas, abre a sombrinha e some no mapa, levada pelas correntes quentes do sul.Pois bem, a minha corrente acabou de passar. Eu me joguei de cabeça nesse voo e, por ironia do destino, aterrissei em Campinas, na casa de uma amiga que terá que me aguentar por uns dias. Sempre fui meio surtado: amo viajar, fazer malas, conhecer pessoas e devorar novas culturas. Viajar nos joga na cara que o mundo não é uma tela de plasma com controle remoto e TV a cabo. O mundo real é feito de pessoas e de como elas vivem — embora a ordem dos fatores aqui não mude o resultado.O mais engraçado é que Campinas me dá a "segurança de Manhattan". Detalhe: nunca pisei em Manhattan e nem tenho curiosidade. Meu plano de surto de consumo e glamour envolve apenas Paris; no resto do tempo, sigo viajando pelo Brasil. Campinas, no fundo, funciona como uma extensão de São Paulo. Uma espécie de "ilha de Sampa" povoada por nativos que juram que são nova-iorquinos purinhos — e totalmente frios, bem no estilo que a Rita Lee cantava.A cada vinte palavras ditas por aqui, pelo menos quinze são em inglês. Se a pronúncia é boa? Nunca saberei. Não sou adepto do inglês, prefiro o francês. Mas, ao contrário da maioria dos brasileiros que faz cara de paisagem e finge que entendeu o jargão corporativo da moda, eu grito logo: "Traduz aí!". Eles ficam horrorizados com a minha caipirice explícita. Paciência. Sou brasileiro e o português ainda é uma língua deliciosa de se usar — em todos os sentidos dúbios que a palavra permite.Tudo aqui é uma piada pronta. Sinto-me em um vilarejo onde os moradores juram que vivem em uma megalópole. É divertido; a gente ri do absurdo das pequenas coisas e das pequenas "zonas" locais. Inclusive, conheço a zona mais famosa da região: o Galo de Ouro. Um lugar fascinante, cheio de mulheres interessantes e um elenco que transborda animação.Estamos juntos praticamente todos os dias, fazendo Deus sabe lá o quê, quando e onde. Mas fazemos. Vivemos com a certeza de que ter as malas prontas é o melhor estado de espírito possível. Assim, quando o vento do sul mudar de rota novamente, já saberemos que é hora de partir, dizer adeus e rumar para o próximo alvo!