Páginas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010



Onde estará meu bom velhinho?

Onde foi parar aquele velho charmoso de barba branca com roupas vermelhas, guiando um trenó com renas?
Que carregava um saco cheio de prêmios para quem tinha se comportado durante o ano?
Aquele que escrevia cartas intermináveis contando a nossa trajetória do ano, só para ganhar o nosso brinquedo?
Pelo visto o meu Bom Velhinho, deve ter caído em uma casa de repouso, e já não se lembra mais onde fica os endereços e muito menos aquelas pessoas da lista de presentes.
Se alguém o encontrar diga a ele que continuo sendo a mesma pessoa, nem tão boa, e nem tão ruim.
Mas um pouco mais seletivo, critico e exigente.
Diga a ele que não quero nada muito caro, apenas de bom gosto. Que seja extraordinário que me faça feliz, que me deixe com asma, com arritmia cardíaca, que me deixe com Parkinson. Quero algo que me deixe ser como sou, chato, imaturo(quando precisar), que me deixe ser a criança grande que sempre fui me deixe sonhar... Que fique do meu lado quando tiver medo, e quando estiver alegre.
Que possa andar na chuva e chupar picolé em dias frios. Que ria das minhas graças, que acorde na noite para me cobrir. Que conte historias intermináveis. E que me envolva, nos seus sonhos e projetos.
Bom! Se alguém se comoveu com tal desproposito humano, por favor, entre em contato com o seu bom velhinho, porque o meu com certeza já não está tão disposto afazer longas viagens e muito menos com saco, se é que ainda existe algum saco!

Feliz Natal! A todos .....

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Felicidade se acha em horinhas de descuido...


Não sou humanamente hipócrita, em desejar as pessoas aquelas bobagens de sempre, que sejam felizes para sempre ou muitas felicidades, ou uma feliz entrada de ano.
O que posso falar para as pessoas, como um ser humano mortal e comum, que vivam o amor. O amor de um pelo o outro, ou um amor carnal.
Gosto de pensar da seguinte forma: Toda vez que ao acordar, pela manhã, pergunte a seu namorado(a) ou vale até mesmo as pessoas que não conhecemos se quer casar com você. (se a resposta for sim já é um primeiro passo para felicidade.)
Arraste a pessoa amada para tomar um banho de chuva. Faça coisas surpreendentes, para mostrar o quanto o seu ser amado é especial( faça para você também, todo mundo merece ser surpreendido).
Massageie os ombros do ser amado enquanto ele lê ou assiste TV, você pode ser massagear sempre é bom um toque, um afago. Se quiserem aliviar os estresses, passe as unhas de leve nas costas dele ou dela, para aliviar o seu estresse, se abrace. Isso tudo antes de dormir.
Admire sempre o seu ser amado e ate mesmo você, com os olhos de analise, quando ele ou até mesmo você estiver se admirando o seu próprio corpo no espelho, olhe sempre com os olhos de como se fosse a primeira vez que o conheceu. Acorde de madrugada para cobri-lo
E sem nenhuma razão especial, mande flores.
Deixe as pessoas serem chatas às vezes, mesmo que não tenha razão nenhuma.
Pode ser bobagem, mas de uma coisa eu tenho certeza plante uma roseira na entrada da sua casa.
Plante um vaso de alecrim e melissa para trazer sempre boa nova e bons fluidos, estas duas plantas aprimoram o amor.
Ponha uma placa na sua porta: “Aqui reside uma pessoa Feliz e Apaixonada!”
Quando derramar sal, jogue um pouco sobre o ombro esquerdo, para espantar todo mal olhado e a inveja.
E se apaixone por você e por alguém sempre que puder. O melhor é se apaixonar todos os dias.
E assim, será feliz sempre como nos contos das Carochinhas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Qual foi a sua criação?


Dizem que fomos criados para o embate, para o "macho" que a sociedade exige. Bobagem. No fundo, todos fomos projetados para ser a princesinha da vovó. Queríamos os cachos dourados, o príncipe (que fosse rico, por favor), o palácio e um exército de governantas. E dinheiro, claro. Muito dinheiro. Dinheiro é fundamental para não se ter que pensar nele. Outro dia, numa conversa de Facebook, confessei a um amigo: fui criado para ser dondoca. Nasci para o privilégio, para o conforto de quem não precisa ralar. Ele, com aquela grosseria pedagógica tão em voga, mandou-me "acordar do sonho". Que falta de estilo. Eu adoraria ser Alice e cair no buraco — mas sem o chá alucinógeno, que essas coisas dão uma ressaca pavorosa. O que eu quero é o crescimento, a magia, mas sem o retorno cafona à fazenda. Dorothy, coitada, tinha aquela obsessão em voltar para o Kansas, para a tia Emily e para o tsunami. Eu? Jamais. Fazenda é um conceito que só funciona em dois estados: nas lembranças da infância ou nas férias, com data de validade curtíssima. E vamos combinar: fazenda só é suportável se tiver Wi-Fi, TV a cabo, livros ótimos, gente interessante e um carro na porta. Para o caso de, a qualquer momento, o "ar puro" e o excesso de verde começarem a irritar. Porque irritam. Essa história de "um amor e uma cabana" é uma das maiores mentiras da humanidade. Só se aceita uma cabana se ela for em Bali, durante a lua de mel, e com serviço de quarto vinte e quatro horas. Fora isso, é programa de índio. Pessoa já dizia que o verde das árvores é velho e as folhas murcham antes de aparecer. Ele tinha razão. Natureza é bom para olhar da janela de um hotel cinco estrelas. O que é bom mesmo é ser o neto da vovó. Tenho saudades das minhas. Uma era pimenta: desbocada, divertida, adorava o mundo e as vizinhas (os netos vinham em segundo plano, o que tinha seu charme). A outra era o açúcar em pessoa. Doces mineiros, figos em calda, abóbora cristalizada... De comer rezando. Mas — atenção ao detalhe — tudo isso devidamente servido à mesa, sem que eu precisasse chegar perto de uma vaca às cinco da manhã para tirar o leite. Existe algo melhor do que ser a "princesinha"? Ter regalias, ser bem criado e acreditar piamente que o mundo orbita em torno do seu próprio umbigo? Se as avós dominassem o mundo, seríamos todos muito mais felizes. E, com certeza, muito mais bem vestidos

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


Todo mundo quer ser sex, quer fazer parte do cotidiano da vida. Ter uma Psique, cheio de vice e versa.
Ter um erotismo aflorado, e ser observado por todos. Chega a ser um vicio do próprio homem. Querer ser e aparecer sempre para o outro.
O corpo é um escrito. Uma grande carta de um sedutor, que utiliza seus movimentos para agradar, apoderar e usufruir o outro.
O corpo é na verdade o nosso Eros.
É a personificação da alma, do moral ao imoral, é o se apaixonar pelo outro e para o outro. É o apaixonar por si e por mais ninguém, é um complexo Narcisista, é um apaixonar de Afrodite, em despertar no outro o desejo e a paixão, é ficar louco e sair do irreal e cair no mortal. É ser um chafurdar na lama do próprio gozo, é perverter-se nos desejos mais ousados é atolar-se no vicio da nossa própria alma e pensamento.
É uma consideração da alma humana purificada pelos sofrimentos preparados.
E preparar para gozar a pura e verdadeira felicidade.
Eros...todos querem ser....

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sapos, Príncipes e Outras Perdas de Tempo

Vamos combinar uma coisa: sapo não vira príncipe. Nunca virou. Se você passar a vida beijando a lagoa inteira, o máximo que vai conseguir é um gosto de lama na boca e um lugar cativo no brejo, cercada de moscas. Tem quem goste, claro. Tem gente que faz disso uma carreira. Sinto informar, mas quem nasce para o brejo não chega ao palácio. Se você quer um príncipe, saiba que eles não frequentam águas paradas. Príncipes circulam, falam três idiomas, entendem de vinhos e viajam para lugares que você nem sabe pronunciar o nome. Têm brasão, carro importado e apoiam causas nobres na ONU. É outro mundo. Mas cuidado: se você quer apenas o título, você não é uma romântica, é uma caça-dotes. E classe, minha querida, não é vírus; não se pega por convivência. Ou você herda, ou conquista com muita elegância. Fazer a linha "Kátia Cega" para subir na vida só leva a um destino: a infelicidade. E, geralmente, a uma conta bancária vazia no final. Eu nunca fui uma grande especialista, embora já tenha tido meus momentos. Tive três relacionamentos sérios. Longos, de quatro anos cada. Sempre achei exaustivo ter que me dividir; nunca soube ser duas. Meus namoros terminavam sempre do mesmo jeito: eu punha o ponto final. Por quê? Porque eu percebia que estava vivendo para o outro, e não com o outro. E quando o amor-próprio dá sinal de cansaço, é hora de fazer as malas. É muito melhor um apartamento novo, bons amigos e um cachorro do que um trono que não te serve. Você pode malhar três horas por dia, decorar a carta de vinhos e fingir que entende de causas humanitárias para usar uma coroa. Pode até funcionar por um tempo e pagar suas contas. Mas, lá no fundo, você sabe que aquela vida é dele, não sua. No fim das contas, se não houver verdade, você vai acabar voltando para a saparia. E aí, minha cara, a busca recomeça. Mas não diga que eu não avisei

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A ex o ex, o atual, sogras e a família, o doce inferno de viver em comunidade!

Viver com alguém é um exercício de paciência que, convenhamos, quase ninguém tem. Mas quando a casa cai e vem a separação, a primeira coisa que a gente quer é jogar tudo pela janela: os móveis, as lembranças e aquele armário mofado que a gente chamava de vida. É natural querer ver o sol e, claro, um novo amor. Porque não há nada mais excitante do que inventar um personagem novo para ocupar o lugar vago no coração. Mas cuidado: tem gente que adora um drama à la Maysa, mergulhando num luto profundo, quase coreografado. Para esses, eu até tiro o chapéu — haja fôlego para tanto sofrimento. Eu, particularmente, prefiro quem sacode a poeira e diz: 'Próximo!'. É de uma coragem invejável, embora eu confesse: por dentro, a gente costuma estar em frangalhos, mesmo com a maquiagem impecável e sem mover um músculo do rosto. Agora, um aviso de utilidade pública: se você engatou um novo romance, por favor, contenha o entusiasmo. Nada de misturar famílias na primeira semana. Sogra é um território minado. Você está levando o filho dela, e ela nunca vai te perdoar por isso — aceite. E nunca, jamais, fale mal da ex dele ou da mãe dele. É falta de elegância e, pior, é um tiro no pé. O novo amor vai passar o resto da vida achando que você vai fazer o mesmo com ele. E o pecado capital: falar do ex. Nem sob tortura, meu bem. Se ele insistir, dê um sorriso enigmático e diga: 'Isso é pré-história'. Mude o disco, mude as atitudes, recicle-se. Repetir com o atual os mesmos erros que você cometia com o antigo é de uma cafonice sem fim. Seja livre, sinta-se livre e, acima de tudo, não tenha culpa de ser feliz de novo. A vida é curta demais para a gente ser coadjuvante do próprio enterro

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Seu destino no jogo de búzios...


Poupem-me dos divãs. A psicanálise, convenhamos, é um tédio absoluto — coisa de gente que se leva a sério demais e adora sofrer com hora marcada e ar-condicionado no máximo. Eu prefiro a minha cartomante. Ou melhor: essa senhora que joga búzios, tem corpo de nona italiana e um colo que nenhum Ph.D. Alemão jamais terá. É muito mais chique. Ela nos recebe como quem espera um filho pródigo que só faz bobagem. Dá sermão, passa a mão na cabeça e, entre uma chacoalhada e outra nos búzios, resolve a vida. Porque, vamos ser honestos: ninguém acorda querendo saber do sobrenatural quando está ganhando na loteria ou com um amor esplêndido debaixo do braço. A gente procura o místico quando a coisa desanda. Lá dentro, o mundo ganha cores vibrantes. O 'fulano' vira um perigo iminente, o 'cicrano' é o invejoso de plantão e, de repente, você descobre que a sua vida não caminha porque está 'amarrado'. Que alívio! A culpa deixa de ser sua — o que é sempre exaustivo — e passa a ser da zica alheia. É libertador. Depois, vêm os banhos. Saio de lá parecendo um pote de tempero ambulante, exalando canela, açúcar e uma esperança quase infantil. É ridículo? Talvez. Mas é de um romantismo que essa modernidade asséptica, cheia de termos técnicos e diagnósticos de farmácia, nunca vai alcançar. Entre um relatório de terapeuta e uma vela de sete dias com mel para 'adoçar' o bofe, eu fico com o mel, sem pensar duas vezes. No mínimo, a gente sai com a alma lavada e um perfume infinitamente melhor do que o de um consultório fechado. No fim das contas, a gente só quer que alguém nos diga que o amor está chegando — mesmo que ele venha a pé, de sandálias, e demore uma eternidade para tocar a campainha

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A vida, convenhamos, é um tédio retumbante se a gente não inventar uma moda

As pessoas andam por aí com uma insatisfação crônica, culpando o vizinho ou o último comercial de TV pela própria melancolia. E tome 'corrida do ouro': é o sapato da China, o carro do Afeganistão, o marido da Bósnia — desde que seja dos Bálcãs, por favor, que o exotismo está em alta. Nem Maslow ou Rogers, com todas as suas pirâmides e teorias, dariam conta desse nosso caos. Eu, por exemplo, já fui um verdadeiro cabide ditatorial. Entrava estação, saía estação, e lá estava eu: revista de moda debaixo do braço, corte de tecido na mão e uma costureira paciente à disposição. Fui platinado, ruivo, roxo, raspei a cabeça quando me deu na telha. Fui uma vitrine ambulante das minhas próprias angústias — e quem não é, meu bem? Teve a fase da revolta, claro. O piercing no nariz, que causou chiliques na população e o ódio mortal da minha mãe. Adorei cada segundo de 'descolada', até que todo mundo resolveu usar. Aí, perdi a paciência e tirei. Não suporto uniformes. Nos amores, nunca quis o óbvio. Enquanto as amigas buscavam o 'bonitão da vez', eu me perdia pelos inteligentes, os filósofos de boteco — esses sim, perigosíssimos. Os contadores de piada sempre me deram uma preguiça infinita. Já fiz a linha ascética, vivendo de água e bolacha para caber em uma calça Pantalona, e já me afoguei em açúcar só pelo prazer de estar insatisfeita. Somos vários personagens num corpo só, uma promiscuidade de identidades. Hoje? Hoje saio de jeans e camiseta. Mas não se engane: tem dias que acordo com vontade de ser fatal, de bota e lenço no pescoço, pronto para o crime. Dizem que quem é de tudo não é nada. Pois eu acho o contrário: passar pela vida sendo uma coisa só é de uma falta de imaginação atroz. Eu me invento, me transformo e me faço de novo a cada manhã. É exaustivo, eu sei. Mas é a única forma de não morrer de tédio

domingo, 31 de outubro de 2010

Manhã de sol....



Há dias que a gente levanta irremediavelmente exalando felicidade. Era mais ou menos sete horas da manhã, quando levantou. Tomou o seu de jejum e foi fazer a sua longa caminhada, com seu cachorro, entre algumas passadas e outra, corria. Como se fosse um atleta maratonista, ou então um desses homens que só se vê em novelas globais ou filmes hollywoodianos. Fazendo seu Cooper. Uma coisa estanha! Mas o dia estava tão lindo, o céu tão azul, que estava convidativo a tal proposta matinal.
Ele por sua vez, resolveu tirar a poeira do seu corpo, tomando aquele sol matinal irresistível, junto com seu cachorro. Que fazia uma festa de felicidade. Ele o cachorro parecia que estava mais em jubilo que seu dono. Um olhava para o outro sabendo o que os dois queriam dizer, enfim: sem mais nenhuma obrigação, aquele era o dia de aproveitarem apenas aquela caminhada e mais nada mesmo.
Ele exibia seu corpo esquio, busto alongado, braços longos delgados, com tatuagens a mostra, pernas bem torneadas embutidas em um short, de tecido fino e curto. O que realçava ainda mais aquela cor de cera que conquistara dentro de suas calças. Ela por sua vez, mostrava com clareza que aquele ser não era do dia.
Ouvia no seu aparelho de ouvido, melodias de Ernesto Nazareth, porque ele pensava que as notas musicais, acompanhavam tal desprendimento humano pelo absurdo, de se dar ao luxo de contemplar tamanha satisfação de um dia lindo. O que sempre achava perda de tempo e falta de prioridade na vida.
Foi andando meio desengonçado, meio sem saber como caminhava, depois o andar foi retornando ao ritmo, inspirou profundamente aquele ar matinal, que chegaram a causar alguns incômodos nos pulmões que variava entre o cinza e o preto, pela nicotina ingerida há anos.
Mas, isso, não o fez interromper o que estava disposto a fazer. Dar a sua caminhada matinal.
Aquela melódica sinfonia tocada no ouvido agora parecia cada vez, mais intensa e sua respiração mais ofegante, como se não se sabe o porquê, apenas tocava com mais intensidade e ele agora, que sempre usou um velho óculos, remendado com durex nas hastes, porque sempre achou que aquilo dava um ar de intelectualidade, e não de sovina, podia ver melhor. Como se as pupilas dilatassem e ele enxergava coisas que nunca podia ver.
Via do seu lado esquerdo, uma linda serra, que há tempos chamava de morro, podia ver o verde, e suas nuances de tom. A sua frente via uma rodovia, que ele passava todos os dias, mas para ele era apenas a rua. E ficava observando que tipo de pessoa transitava por lá. Que espécie de pessoa abandonava tamanha beleza para refugiar em outro canto que não fosse aquele. Podia agora sentir o cheiro das flores, do verde, do orvalhado nas arvores. Mais algumas passadas rápidas e um barulho. Que ele podia sentir, algumas pessoas, que caminhava por ali também puderam ouvir o barulho, como um estampido oco, nem um só grito.
As pessoas começaram a aproximar do barulho, e ele podia ver as pessoas, se aproximando e sem entender o que acontecia apenas observava inerte, o cachorro deitou e ficou parado ali, onde o barulho e o corpo deram espaço a murmuras.
O disse me disse era tanto, que ele não podia entender o que se passava, quando viu um clarão e depois o mais obscuro silêncio. Já não ouvia nada e muito menos mexia, não podia mais sentir os pelos daquele velho cão que o acompanhava e muito menos suas lambidas, sua festa, seu abanar de rabo quando chegava a casa. Nada, apenas um silêncio, nada podia ver, nem mesmo aquela senhora que usava uma roupa estampada, que no seu momento de caminhada, e segundos antes, havia lhe dado um sorriso e um bom dia. Coisas que marcam a vida das pessoas e sem o saber por quê. Mas compreendeu que nunca tinha dado um sorriso e muito menos um bom dia, se o tivesse feito, o fez há muito tempo, e que agora não mais recordava.
Não recordava mais de nada, nem da sua velha casa, com um tapete de crochete, feito por sua avó, que já estava desgastado nas bordas. Do café matinal, de um velho retrato de família. Nem se quer lembrava se tinha alguém o esperando, ou se fez alguém feliz um dia, como o sorriso dado pela senhora segundo antes do barulho e de tudo ter ficado escuro. Pensava rapidamente que sempre quis ouvir La Vie Rose, tocado a beira do rio Sena, mas não sabia se já tinha estado lá ou se pelo menos tivesse ouvido a musica. A única coisa que ele podia sentir, era um frio e uma cólera na alma.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

24 hoas? !



Dizem que o dia tem 24 horas. Um equívoco, obviamente. Para uma pessoa que se preze, o dia deveria ter a extensão de um fim de semana em Paris, e olhe lá. É que inventaram tantas obrigações — e todas com esse ar de "é para o seu bem" — que a vida virou um check-list de farmácia. Primeiro, o sono. Dizem que oito horas são sagradas. Já perdemos um terço da vida babando no travesseiro, o que é um tédio. Aí você acorda e, antes do primeiro café, já tem que estar em cima de uma esteira. Uma hora de caminhada para "circular o sangue". Francamente, se o sangue não circulasse sozinho, a gente não estaria viva. Depois vem o capítulo da mesa. Comer a cada duas horas? Isso não é dieta, é um compromisso social com o próprio estômago. E a mastigação? Cem vezes cada garfada. No terceiro pedaço de alface, a festa já acabou, o assunto morreu e você ainda está lá, mastigando como uma vaca sagrada na Índia. E as misturas milagrosas? É a taça de vinho pro coração, o suco verde pro fígado, a água (quatro litros, imagine o estado do banheiro!), a fibra, a maçã, a aspirina. Se você tomar tudo o que mandam, o resultado não é saúde, é um curto-circuito. No fim do dia, você não é uma pessoa saudável, você é um laboratório ambulante. Higiene bucal, então, virou um ritual religioso. Massagear gengiva, fio dental, bochecho... Quando você finalmente termina de cuidar dos dentes, já está na hora de sujá-los de novo no café da manhã do dia seguinte. E os amigos? Dizem que é preciso "regar" as amizades todos os dias. Mas quem tem tempo de regar alguém se a gente mal consegue se hidratar com os tais quatro litros de água? Se eu sumir, não é falta de afeto, é falta de agenda. A solução, claro, seria se trancar em um mosteiro tibetano no alto do Himalaia(tão mais reconfortante)ou a aceitação do caos. Porque, entre ler dois jornais, trabalhar oito horas, malhar e ser feliz, eu prefiro uma boa taça de champanhe — sem pensar nos polifenóis — e dormir apenas o tempo necessário para sonhar com um mundo onde o relógio não seja o nosso maior inimigo. Viver, afinal, dá um trabalho danado

Prometer é uma imensa falta de educação.



Convenhamos, além de não custar nada, ninguém cumpre na ordem em que foi dito. Políticos prometem o fim da especulação imobiliária em Nova York ou no Leblon, e nós, com essa mania quase ingênua de acreditar no impossível, acabamos com um estoque enorme de descrédito. É de um cansaço sem fim.E o amor? Ah, o amor e suas promessas de bangalôs. Tem gente que se agarra a qualquer fresta de luz, jurando que um dia o romance vai dar certo. Nem sempre dá, aceitem de uma vez. E essas pessoas penam, coitadas. Vivem de promessas básicas: uma aliança, um bracelete de ouro, uma pulseira qualquer. Esperam a casa com varanda e jasmins na janela, achando que a felicidade mora num bangalô — que nem precisa ser em Bali, pode ser em Angra, desde que seja "o" lugar. No fim das contas, quem acreditou fica de mãos abanando, sem ganhar sequer um daqueles mimos infantis que vinham nas caixas de doces de antigamente.Mas o que me irrita profundamente são as resoluções de Ano Novo. Aquelas que a gente sussurra para si mesma diante do espelho e que morrem na primeira semana de janeiro. "Vou parar de fumar", eu digo, enquanto acendo o próximo cigarro com meu isqueiro de estimação. Se eu tivesse cumprido tudo o que prometi a mim mesma, minha coleção de promessas esquecidas seria maior que a Basílica de Aparecida. Hoje, prefiro o bom senso: se acontecer, ótimo. Se não, é porque não era para ser. Ponto final. Não se sofre por palavras ditas ao vento em plena noite de Réveillon.E as secretárias? Entra ano, sai ano, e a gente se promete que a próxima funcionária será um verdadeiro "anjo da guarda". Bobagem. Elas nunca são o que a gente espera. Às vezes penso que seria melhor contratar uma governanta estrangeira, talvez uma marroquina ou alguém de uma cultura bem distante, só para não ter que ouvir aquela velha desculpa: "da próxima vez eu faço certo". Porque a gente sabe, com toda a certeza do mundo: não fará.Depois vêm os chefes com os aumentos que nunca chegam, as promoções que ficam esquecidas no papel e aquelas pessoas distantes que juram que vão voltar de Paris ou de Londres. Tenho verdadeiro pavor de quem promete voltar; no fundo, a gente sabe que é mentira.Dizem que sou chata, intolerante, difícil. Talvez eu seja. Mas quem não ficaria intolerante sendo deixada no topo do Himalaia, vestindo apenas um jandique leve, sem casaco de pele e sem paraquedas? Sou o tipo de mulher que insiste até conseguir o que quer. Para os outros é chatice; para mim, chama-se eficiência.Um conselho elegante: nunca prometa nada à beira de um caixão. O morto pode levar a sério e decidir voltar para cobrar. E não perca tempo fazendo promessas aos santos. Eles devem estar ocupadíssimos com as reformas celestiais e, no meu caso, nunca me responderam nada.No fim, qual o valor de quem cumpre o que diz? É a satisfação garantida, um artigo raríssimo no mercado atual. E para quem não cumpre? A minha mais absoluta ingratidão, devolvida, é claro, com o gelo e a elegância de sempre

sábado, 9 de outubro de 2010

Dona Baratinha...




Vamos combinar uma coisa: barata de esgoto é o fim da linha. Mas a nossa personagem não era dessas. Era uma moça fina, educada em colégio de freiras, com uma bagagem intelectual impecável e aquela veia ativista que hoje em dia todo mundo acha chique. Dividia seu tempo entre causas humanitárias na ONU e temporadas em locais de crise — adorava o frisson da Faixa de Gaza. Mas, no fundo, era uma dona de casa caprichosa. Mantinha seu apartamento impecável, com flores frescas nas janelas, bem ao estilo de uma boa anfitriã.Um dia, fazendo uma arrumação no sótão, encontrou um formulário para o Bolsa Escola. Como era solteira e sem filhos, não tinha direito ao benefício, mas a ideia de uma renda extra a seduziu. Pensou que com aquele dinheiro poderia fazer uma boa reforma na casa e, quem sabe, renovar o guarda-roupa com algumas peças mais interessantes. Conclusão: precisava urgentemente de um marido.Separou um enxofre lindo que ela mesma havia bordado nos tempos de colégio, caprichou no visual, fez um coque elegante e foi para a janela ver o que o mercado de solteiros tinha a oferecer.O primeiro a passar foi o Cigarra. Um rapaz jovem, considerado o mais elegante da cidade. Ela, muito direta, perguntou se ele topava o casamento. Ele aceitou na hora. Mas a nossa heroína sofria de insônia crônica e quis saber como era a rotina noturna do pretendente. Quando o rapaz soltou um agudo estridente, com aquela viola debaixo do braço, ela perdeu o encantamento imediatamente. Achou cafona, performático demais e o dispensou sem a menor cerimônia.Depois dele, veio uma fila de desastres. Um sapo com hábitos íntimos absolutamente invasivos e sem a menor delicadeza; um jacaré bruto que só sabia resolver as coisas na base da força; e até um porco que não tinha a menor noção de higiene. Um horror. Nenhum deles tinha a menor fineza para conviver sob o mesmo teto.Ela já estava quase desistindo e se conformando com a solteirice quando surgiu Dom Ratão. Um charme. Elegante, discreto e com uma voz suave que não incomodaria o sono de ninguém. Ficaram noivos no ato.Os preparativos para o casamento começaram e ela se jogou na organização do banquete. Mas Dom Ratão, como quase todo homem com pose de bom moço, tinha um lado B. Exigiu uma despedida de solteiro. Ela, moderna, consentiu. O problema é que o sujeito não foi tomar um drinque num piano-bar; foi parar em uma boate de quinta categoria, daquelas bem barulhentas da periferia.No dia do casamento, a igreja estava cheia, os convidados elegantes esperando, e nada do noivo. Cansada de esperar no altar, ela reuniu alguns amigos mais íntimos e resolveu ir atrás do sujeito. O cenário que encontrou foi um choque para a sua criação católica: Dom Ratão havia se envolvido em um acidente anatômico devastador com um jegue de proporções descomunais. E o pior de tudo: o noivo gostou do escândalo. Ali mesmo, abandonou a dignidade, subiu no lombo do animal e fugiu para Miami, que é para onde todas as pessoas de gosto duvidoso vão quando querem desaparecer.Ela chorou, claro. Ninguém gosta de ser trocada por um quadrúpede em Miami. Mas a decepção muda as pessoas. A nossa ativista recatada mandou os bons costumes às favas. Hoje, ela frequenta a noite, aceita os galanteios ousados do sapo e ganha a vida na noite carioca. Quanto ao Bolsa Escola? Ela trocou o cupom por um belo par de malas Louis Vuitton. Afinal, se é para ser solteira, que seja com estilo

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Modos de homens...


Vamos falar a verdade: esse mundo moderno, cheio de tecnologia e engenhocas, acabou com os modos. Muita coisa que era linda virou fumaça e o comportamento social hoje em dia está uma coisa de quinta categoria. As pessoas estão alienadas. E os homens, coitados, andam perdendo a compostura num ritmo alarmante. Glorinha Kalil tem aquela frase perfeita: “Ninguém é chic se não for civilizado”. Pois eu assino embaixo. A verdade nua e crua é que não se fazem mais homens como antigamente. E que falta eles fazem.Onde foram parar os cavalheiros? Aqueles que tinham a delicadeza de esperar a gente no portão, que pediam licença ao entrar na nossa casa e que desciam a escada na frente das mulheres— não por pressa, mas para o caso de tropeçar. Hoje em dia você sai com um sujeito e ele passa a noite olhando para a tela do celular. Um horror. Estar com alguém significa estar ali, presente, inteiramente focado na pessoa. O resto é má educação.O homem elegante fala baixo. Se acende um cigarro ou puxa a cadeira para você sentar, faz isso com uma naturalidade divina, sem parecer um ator de teatro mofado. E na hora da raiva? Ele não grita. Não faz barraco, não dá espetáculo para os vizinhos ou para a mesa ao lado. Nós já saímos da Idade da Pedra faz tempo, o tacape já foi aposentado. Somos seres civilizados, ou pelo menos deveríamos ser.O homem precisa ser o esteio. Mulher gosta — e precisa — de um ombro para chorar, de um apoio nos momentos em que o mundo desaba, esteja ela certa ou errada. Até porque o certo e o errado são apenas pontos de vista, não é verdade? Falta aos homens de hoje um pouco mais de complacência, de jogo de cintura, de generosidade. Falta charme. Falta ser chic.Em vez disso, resolveram virar “fashionistas”. Um horror completo. Usam tantos acessórios, tantas pulseiras, tantos penduricalhos que a gente olha e simplesmente não consegue decifrar o que é aquilo. Um homem não precisa de fantasias.O guarda-roupa masculino deveria ser quase único, focado no essencial e no bom corte. Anote aí o que basta para um homem ser impecável:Camisa branca e camiseta branca (limpíssimas, por favor);Uma polo colorida e uma boa jaqueta;Uma camisa xadrez de lã, que fica um charme usada aberta por cima da camiseta branca;Dois ternos: um chumbo para a noite e um areia — que eu acho infinitamente mais elegante que o bege tradicional;Uma calça social caqui e duas calças jeans: uma reta, clássica, azul-marinho, e outra mais moderna, dessas lavadas e confortáveis;Um moletom neutro para os dias de preguiça, shorts e bermuda;Uma sunga (para quem está em forma, claro), cintos de lona e de couro, uma gravata;Nos pés: um belo sapato social de corte italiano, um tênis bacana e uma sandália franciscana;Para o sol, bonés e chapéus.No inverno, o cachecol é obrigatório. Mas fique nos lisos ou nas lãs mescladas. Agora, por favor, aqueles lenços compridos e performáticos, estilo Talibã, nem pensar. É um paroxismo do ridículo. Se for para usar aquilo, prefira logo uma burca. Não vai ficar bonito, mas garanto que todo mundo na rua vai parar para olhar.Homem de verdade não precisa de excessos. Precisa apenas de um bom par de sapatos e de uma dose maciça de educação. O resto é bobagem.

terça-feira, 5 de outubro de 2010


Um burro carregado de livros é um sábio! Será?

Um burro é apenas um burro, tem a sua inteligência adequada e adestrada aquilo que é proposto ao tal animal. Fico indignado quando chamam alguém de burro, até porque, para ser um burro precisa de muita paciência e sabedoria. Só porque o animalzinho empaca, não quer dizer que ele seja inábil em fazer alguma atividade.
Carregando livros, ele continua sendo um quadrúpede e fazendo a sua função, carregador! O que faz com tamanha primazia.
Depois de muito pensar, como seria um ser humano sábio, ele por sua vez não será menos que o burro que carrega livros.
Sabem por quê? Simples, quanto maior a sabedoria humana, mais será sua ignorância, e nem falo do conhecimento pragmático, mas sim do conhecimento cognitivo, conhecimento de vida, o social.
Pessoas que passam suas vidas entregues aos estudos são um sábio, mas transmitir tal sapiência, nem sempre vai ser fácil. A não ser que o grupo seja restrito e conhecedor de tal assunto.
Nestas horas vale sempre lembrar que Paulo Freire, já dizia: “Que todos têm sua cultura, e trazem essa bagagem para a sua vida e para sua necessidade de aprendizado”. Melhorar sempre é bom, mas para quem? Por quem? Ser o melhor do mundo é ótimo, mas ser o melhor e depois ficar com a cara de nada sabe? Que adianta? Bom seria se todos pudessem acompanhar tal desenvolvimento.
Mas voltando a historia do burro gosto de um amigo que me disse a seguinte frase: “pra mim burro é burro e o fato de estar carregando peso, ou seja, livros só demonstram ainda mais sua burrice... sábio seria se ele carregasse pasto para alimentar-se e continuar sua estada nesta terra tão burra quanto ele.”

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Parnasianismo.


Gosto de listas. Elas organizam o caos que insistimos em chamar de rotina, embora a vida insista em transbordar pelas bordas. Se eu pudesse resumir meus dias em um manual de sobrevivência para a alma, ele seria feito de pequenos alívios e grandes ironias.Para os dias em que o peito aperta e a mente questiona o próprio sentido de estar aqui, dispenso os tarólogos: chamo Simone de Beauvoir para resolver a crise existencialista e deixo Clarice Lispector sussurrar como uma pessoa deve se comportar — sabendo que, no fundo, Clarice nos ensina justamente a desabar com elegância. Se a angústia persistir, Maria Bethânia canta a saudade e Maysa assume a trilha sonora da fossa. Porque sofrer faz parte, mas sofrer sem uma boa música de fundo é um desperdício de drama. Para o estresse do trânsito e dos boletos, a delicadeza de Ernesto Nazareth ao piano surte mais efeito que qualquer ansiolítico.A sobrevivência urbana também exige seus truques práticos. Contra gente chata, o frasco de Baygon deveria ser item obrigatório na bolsa. Para a ressaca moral ou literal, os maiores óculos de sol que você encontrar e um banho de água fria na cara inchada. Se o dia está corrido demais para o afeto de um bule inteiro, um cafezinho rápido e um cigarro na calçada resolvem o intervalo. Aliás, na pressa, a gente se perde. E tudo bem. Quem está muito perdido procura uma bússola; quem quer mesmo se encontrar, joga a bússola fora e se permite o luxo do descaminho.No fim das contas, o que nos salva são os outros. São as conexões que criamos para não enlouquecer. Para ser bem hospedada, bato na porta do Ricardo e do João. Para rir até a barriga doer, chamo Poliana e Vanessa. O Claudio é meu porto seguro: serve para tocar violão nas segundas e quartas, para o café sagrado depois da academia e, junto com a Elida e o Rodrigo — que por sinal faz o melhor yakisoba com vinho de cereal do mundo —, formam o comitê dos amigos de todas as horas. Para uma conversa densa sobre o Marquês de Sade, chamo o Alcântara. Para o almoço interminável de domingo, convido Sartre, sabendo que a comida vai esfriar enquanto discutimos a liberdade.A vida é esse mosaico de miudezas. É usar marca-texto para não ser apenas mais um na multidão, é saber que para o amor basta um beijo, para o sexo basta a camisinha e para um sábado perfeito bastam duas rodas e uma bicicleta sob o sol. O resto é protocolo para guardar no museu. No cotidiano que vivemos, o que importa mesmo é a coragem de abrir a janela e ter quem esperar do outro lado

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Primeira história
O sapo Liu-Liu tinha muita pena de seu cu. Olhando só pro chão! Coitado! Coitado do cu do sapo Liu-Liu! Então ele pensou assim: Vou fazer de tudo pra que um rainho de Sol entre nele, coitadinho! Mas não sabia como fazer isso. Conversando um dia com a minhoca Léa, contou tudo pra ela. Mas Léa também não sabia nada de cu. Vivia procurando o seu e não achava.
- Tá bem, vá, então cê não tem esse problema, disse Liu-Liu.
- Mas não fica bravo, Liu-Liu, eu vou me informar. Vou saber
como você pode fazer pra que um rainho de sol entre no teu fiu-fiu.
- Que beleza, Léa! Fiu-fiu é um nome muito bonito e original!
- Não seja bobo, Liu, todo mundo sabe que cu se chama fiufiu.
- Ah, é? Pois eu não sabia.
Então Léa viajou pra encontrar a coruja Fofina que tinha fama de sabida. Fofina pensou pensou pensou, abriu velhos livros, consultou manuscritos, enquanto Léa dormia toda enrolada.
- Acorda, Léa! Achei! disse Fofina.
A minhoca Léa ficou toda retesada de susto.
- Relaxa, relaxa! disse Fofina.
- Olha, Léa, Liu-Liu tem que aprender uma lição lá na Índia – disse Fofina.
- Eu tenho medo de índio, disse a minhoca Léa.
- Não seja idiota, Índia é uma terra que fica longe daqui.
- Ah, então tá bom, disse Léa.
- Olha, Léa, lá na Índia eles se torcem tanto que engolem o próprio cu.
- Credo! E como é que o cu sai?
Bem, isso é outra história que eu tenho que estudar, mas o Liu- Liu tem que ficar com a cabeça pra baixo, e as pernas de trás pra cima. Assim
Fofina ficou vermelha como um peru e não consegiu mostrar o exercício pra minhoca Léa, mas Léa entendeu, e foi ventando contar tudo a Liu-Liu. demorou três dias, mas chegou. Foram meses muito difíceis para o sapo Liu-Liu, Mas toda a sapaiada ficou torcendo pra ele. E quando o primeiro rainho de sol entrou no fiu-fiu de Liu-Liu foi aquela choradeira de alegria. E o país do Cu-quente, onde mora o Liu, desde então é uma festa! Do dia ao poente!

domingo, 15 de agosto de 2010

surtos....


Sempre achei de quinta categoria aquela cena de filme em que o sujeito fica sozinho na cozinha, de madrugada, sentado no chão fumando um cigarro. Deprimente? Ao extremo. Pois bem, mordo a língua: meu fim de semana foi exatamente esse roteiro de filme B. Se estivesse inspirado, diria que parecia algo dirigido por Mike Newell, com aquela luz melancólica de O Sorriso de Mona Lisa. Mas a verdade nua e crua é que estava mais para um capítulo histriônico de Maria do Bairro. Drama puro. De cortar os pulsos.Em meio ao caos, descobri utilidades inéditas na arquitetura doméstica. A banheira, por exemplo, vira uma excelente cama quando o trajeto até o quarto parece longo demais. Fiquei ali, num revezamento prático — e absolutamente nada elegante — entre o vaso sanitário e as bordas da banheira. A maioria das pessoas detesta vomitar, mas ali, no chão do banheiro, entendi que o corpo é sábio. Eu não estava apenas devolvendo excessos; estava expurgando o mundo. Cada espasmo levava embora a raiva acumulada em meus 1,75m de altura e aliviava uma cabeça que pesava uma tonelada, como se um elefante de carga tivesse pisado nela.A quem culpar? Ninguém. A culpa é sempre da nossa própria soberba em nos deixarmos levar por momentos raivosos. Passar mal, no fundo, é o corpo cobrando a conta da nossa indignação com os outros.Depois de horas nesse purgatório, a salvação veio em forma de Plasil na veia e um bom calmante. Não é a saída mais ortodoxa, confesso, mas o efeito é quase psicodélico: o mundo fica rosa, depois amarelo, ganha bolas coloridas e, finalmente, o apagão misericordioso. O problema é acordar no dia seguinte. E o pior: ter uma entrevista agendada numa rádio local para falar justamente sobre o que eu supostamente domino — cultura e comportamento humano. Como alguém consegue falar de elegância comportamental quando está em frangalhos? Não consegue. Mas o profissionalismo exige. O remédio foi uma caminhada matinal e litros de água para tentar trazer a alma de volta ao corpo.Para coroar o domingo, uma festa. E festas são perigosas porque sempre incluem "aquela" pessoa. Alguém que você não suportaria ver nem a quilômetros de distância, mas que decide surgir ao seu lado, gritando e querendo aparecer a qualquer custo. Falta de berço é um problema seríssimo. Diante da cafonice alheia, a única reação fina é a retirada estratégica. Voltei para casa, para o meu confidente de louça branca e para a banheira-cama. Minhas turbulências nunca são brisas, são tsunamis que devastam até os pensamentos.O resgate veio no fim do dia, cortesia de amigos finos que não suportavam me ver trancado cultivando o rancor. Fui raptado — com o meu consentimento, claro — para ajudar na arrumação do sítio deles. Se funcionou? Não sei. Só sei que trocar a raiva do mundo por uma semana espanando poeira e carregando caixas parece uma terapia bem mais barata. E assim, entre um expurgo e uma faxina, a vida continua

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reminiscência de vida.


Ele entrou no quarto sem pressa, com aquela lentidão típica de quem não tem mais compromissos com o relógio. Olhou ao redor. A única coisa ali era a velha cadeira feita pelo avô — um móvel de respeito, daqueles que não se fabricam mais. Mas o que realmente chamou sua atenção foi o baú empoeirado em cima da penteadeira. Estava esquecido há anos.O objeto havia virado um depósito de bugigangas desordenadas. Mas, antes de acumular tralhas, aquele baú tinha sido o receptáculo de muito estoicismo. Um "aguentar" silencioso que ele, por pura vaidade ou medo do que encontraria, vinha se recusando terminantemente a abrir. Sofrendo de uma crônica falta de vontade — e talvez de amor por si mesmo —, sentiu um incômodo profundo e ficou ali, paralisado, digerindo o passado por horas.Tomado por uma coragem súbita, finalmente pegou a caixa. Era uma peça bonita: 25 centímetros de altura por 50 de largura, feita de sucupira maciça com suas iniciais entalhadas. Um presente de nove anos de idade, época em que os homens da família achavam que se devia guardar memórias para o futuro. Bobagem. Com o passar dos anos e a correria boba da vida, ele acabou jogando ali apenas o que realmente importava: lembranças de pessoas que viu uma única vez, livros lidos à exaustão, recortes de jornais de épocas marcantes e, claro, as conquistas amorosas.As fotografias de família estavam bem arrumadas, presas por uma fita de cetim marrom. Já as fotos do seu grande amor... essas ganharam um nó de barbante rústico, amarradas junto às cartas que ele nunca teve a audácia de enviar ao destinatário. Faltou coragem.Havia também o caderno de anotações. Capa dura, verde, com o desenho de um ipê amarelo que ele mesmo havia copiado ao vivo da fazenda do avô. Na capa, em nanquim elegante: “Meus Pensamentos”. A fazenda já tinha sido vendida há décadas, e todos os planos feitos à sombra daquela árvore foram embora com os novos donos.Vasculhando o passado, resgatou uma mantilha da bisavó e um missal em latim. Ao lado, uma fita cassete da Dalva de Oliveira, que ele havia confiscado da mãe porque gostava daquela voz sofrida, cantando amores bandidos e impossíveis. Encontrou o convite de casamento de uma amiga — uma festa à qual ele não compareceu por um motivo fútil que o tempo já apagou. O papel estava amarelado, mas as letras douradas ainda resistiam. Havia a vela da Primeira Comunhão com o desenho do cálice e o terço da infância.Abaixo do sagrado, veio o profano do cotidiano: recibos sem importância, contas de luz e telefone pagas, canetas sem tinta e um santinho do Sagrado Coração de Jesus.Os olhos dele começaram a lacrimejar. Lembrou-se de tudo com uma clareza desconfortável. Aquele baú era uma espécie de Caixa de Pandora sofisticada, libertando seus fantasmas, suas fraquezas e suas virtudes. Sobrando apenas a esperança, que é o que resta quando o resto acaba.Passei a mão pela madeira, sentindo o incômodo da poeira nos dedos. Abriu de vez e começou a esvaziar o móvel. Cada objeto retirado era um flashback nítido. O choro contido virou um desabafo legítimo, daqueles que a gente não consegue disfarçar. No final, sobre a mesa, sobraram apenas as fotos e as cartas amarradas com barbante — o registro do amor que não foi vivido.Quando deu por si, as lágrimas tinham sido substituídas por um sorriso aristocrático, sereno. A caixa estava vazia e ele, tomado por uma sensação de vitória. Afinal de contas, a única coisa que havia restado de toda aquela bagunça era a elegância da sua própria biografia.

domingo, 18 de julho de 2010

E quando a esperança vai embora?



E quando em um determinado momento, a gente acaba por acreditar que tudo poderia ter dado certo?
E quando fazemos planos mirabolantes, engraçados. E no nosso devaneio e por questões de horas tudo acaba!
Mas isso é quase sempre uma regra maldita, o que chamamos de vida real!
Sempre tem alguém ou alguma coisa que te puxa para a realidade, fazendo você ficar totalmente sem noção de tempo e espaço.
Neste momento a dica é: cortar os pulsos, tirar a roupa e sair pelado pela rua gritando e maldizendo tudo o que não foi profetizado. (correndo um serio risco, de ser preso por atentado ao pudor). E quanto ao seu pudor, ninguém será preso? Ninguém ira impedir que por mais um momento a sua esperança foi embora?
Isso deveria ser claro na nossa constituição, parágrafo único, ou artigo 1º;

“NINGUEM OU QUALQUER COISA, PODERA TIRAR A SUA ESPERANÇA!
CABENDO A PENA DE RECLUSÃO OU PAGAMENTO AO INDIVIDUO QUE SOFRER TAL PROCEDIMENTO, OU RETALHAÇÃO DA MESMA!”

O ser humano que perde a esperança perde tudo! Perde o viço, alegria de viver, a espontaneidade e a criatividade.
Na verdade o que move o mundo é ideal, e quanto “mais” melhor. E o ideal não é esperança?
Sejamos práticos, o Titanic, por exemplo, seu ideal era chegar à Nova York, e por pura falta de sorte, ele colide com o um Iceberg. A esperança era que todos chegassem à Nova York.
Mas o ideal do Iceberg era justamente colidir com o navio. Ainda bem que foi quebrado, porque senão eu mesmo iria derretê-lo, nem que fosse com um maçarico.
Todo ser humano deveria ter muitos ideais, e sufocar em acréscimos.
Não seriam tão ruins assim, afinal acréscimos também são esperanças.
A esperança que iremos levantar, e o dia serão mais do que bom, será maravilhoso.
A esperança que poderemos andar pelas ruas sem sermos, assaltados ou simplesmente abordado com uma arma em punho.
A esperança de já nascermos com o conhecimento pronto, e cada um naquilo que mais gosta de fazer (realizar na vida financeira também)
Isto é, a esperança é o que eu tenho que passar a viver, e não apenas me prometer.
Esta é a grande diferença, o que fica torna esperança e o que vai embora não agrega nem a nada e nem a ninguém. E nos só podemos nos agregar ao que desconhecemos, porque o que já sabemos e vivemos já não é mais esperança! É apenas a vida real!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Só um tapinha não dói....



E quem disse que dói? Às vezes no amor é assim, uns acabam a relação apenas com uma carta, (em dias atuais por email. Ou MSN), e ai o que ficou sem entender, escreve um texto para mostrar o quanto é superior, no que o que terminou responde sem muita coerência, e depois vem a treplica. Este deu um tapa com luvas de pelica, e não feriu ninguém.
E a Argentina aprova a união estável de casamento gay, enquanto Antonio Anastásia pede seriedade no caso Eliza Samudi. E acaba esquecendo-se dos professores que estão se matando em sala de aula porque infelizmente, neste caso ele não pode pedir seriedade, pois não tem nem comprometimento.
Na verdade o Senhor governador quer mesmo crianças sem educação.
Enquanto o congresso vem preocupado com o divorcio, e diga se de passagem, já que vai casar porque pensar em separar? Mas como eles mesmos dizem: Para viabilizar e desafogar os casos de separação no país.
Acabam por esquecer, que destes casamentos nascem crianças, que por sua vez vão crescer revoltados.
E ai vai para o congresso que pai e mãe não têm direito mais o direito de corrigi-los quando estão errados.
Como diria a minha avó: “O que cura birra de criança é tamanco português”!
Sou a favor da correção com umas palmadas e castigo, e nem vem com este papo furado de quem ama educa. Quem pariu Matheus que o embale e sabe o fardo que vai carregar.
Quem criou esta lei estava pensando em qual psicologia? A Freudiana? Porque se foi hoje vemos coisas absurdas em relação à agressão sexual cometido por adultos que foram crianças um dia.
E nem me venham os sociólogos xiitas que defendem a velha filosofia, de: “veja bem a condição social”. Conheço muita gente que saiu do morro e de periferia e deu certo na vida.
Tenho certeza que os pais alem de amor deram umas boas palmadas.
Na verdade a nossa constituição e o estatuto do menor e do adolescente, esta mesmo querendo criar grandes heróis.
No qual não sou a favor do espancamento, e agressões piores que envolva crianças, e também penso que pessoas que não tem condições emocionais para estar junto com crianças nem deveriam tentar ter filhos, adotar, e participar da vida social deste ser.
Como sempre digo o que adianta criar leis se não se tem seriedade para colocar em pratica?
E quem nunca levou umas palmadas quando criança?
E como diria a musica: “Saiba! Todo mundo foi neném, Einstein, Freud e Platão, também. Hitler, Bush e Saddam Hussein...
Saiba!Todo mundo teve pai,Quem já foi e quem ainda vai,Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé... Vera Lúcia Sant`Anna Gomes, Rodrigo Fernandes, Guilherme de Pádua,Paula Thomaz,Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Suzane Richthofen, Daniel, Cristian e goleiro Bruno.

quarta-feira, 14 de julho de 2010



Para: Mery...Tania...Lucia...Bethe...Denise!

"As avencas estão lindas, mas o dias floridos são mais belos!"

Domingo no Parque!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pintar com palavras...


Ler me causa prazer... Leio de tudo, de propaganda a jornal velho, de clássicos literários a revistinha gibis.
Acho que leio e escrevo por ter um grau de dislexia, nada muito grave, mas que acabou me levando a ter outro dom que é a minha parte motora pelo desenho. Que também não o faço muito bem.
Mas o que mais aprendi com isso, foi a criticar, no entanto não se aprende.
Não sei ao certo, mas consigo visualizar e codificar de forma rápida um texto, e também consigo de forma interessante juntar um ao outro e dar uma conotação do que dois textos distintos querem nos dizer. Não me perguntem como o faço, só sei que faço.
Mas ser critico-me da um prazer maior do que o prazer em ler, a forma em que movimento os meus braços, e imponho meu discurso faz parecer uma grande cena de teatro. Onde todos já ficam esperando a deixa, para ver onde os meus olhos estão direcionados para começar a falar sobre tal assunto ou pessoa.
Isso me diverte, nunca me chateia, acho engraçado, porque defendo a minha opinião única, embasado naquilo onde não penso e nem vivencio.
Fico imaginando sempre duas visões para os relatos... Também não sei como consigo, mas o faço dignamente, sempre acho que uma garrafa de coca cola vazia e uma garrafa de coco cola cheia de água com flores dentro ganha uma nova visão, a única que poderia ser. A de uma jarra.
Às vezes leio coisas tão peculiares, simples sem grande importância e transformo aquilo em uma grande obra literária, isso porque o que se escreve tento transformar em uma grande pintura plástica, em um grande cenário de ilusões. São de pequenos e insignificantes textos que na verdade acha uma grande obra.
Como em textos complexos demais, com palavras eruditas (que minha dislexia não compreende) piora o texto que ali leio, porque ele não tem um significado próprio e nem uma característica de quem escreve.
Triste para quem escreve, essa falta de oportunidade de identificar naquilo que escreve pessoas assim está fadada a serem sempre mal compreendidas e interpretadas.
Então quando for escrever algo lembre, escreva como se estivesse pintando com palavras, agrade seus olhos e os meus, porque nunca precisarei criticar uma obra... Ela apenas por si só será uma obra!

domingo, 11 de julho de 2010

Amor em pedaços


Quando acaba o amor, acaba tudo. O mundo nos parece um abacaxi, feio e totalmente cascudo com aquela grande coroa de espinhos.
A melhor coisa que fazemos nestas horas e descontar em coisas que nos leve a sentir prazer e para isso só mesmo achando a vida um doce.
Então pegue 1 abacaxi amassado e cru;
Desconte toda sua raiva pelo que passou, com o amor em questão e amasse bastante, vale xingar mal toda a sua arvore genealógica, porque as panelas não falam nestas horas.
Depois, de sofrido todo o amargor da perda pegue ½ k de açúcar; para lembrar os melhores momentos que passaram juntos, dos sonhos que construíram dos que ainda estavam por vir, lembre das viagens em que vocês fizeram e aproveitaram a cada momento.
1 colher de manteiga; para não ficar apenas no doce e enjoativo sentimento da perda e das lembranças, e lembre o tanto que você ou ele (a) foram escorregadios e tentaram fugir um do outro. E coroe este momento com 1 coco ralado e 6 ovos;
Misturar tudo e levar ao fogo, e lembre todo momento quando a relação era quente e tinha todo calor humano que deve ter entre duas pessoas que realmente se gostam, mexa até soltar da panela, afinal quando o doce estiver pronto você lembrara como eram unidos e gostavam de fazer tudo junto.
Depois, do doce pronto, pegue 3 xícaras de farinha de trigo, e coloque em um recipiente onde possa expurgar toda a sua raiva novamente, quando lembrar que você foi trocado ou que simplesmente o amor acabou sem mesmo saber como começou. Novamente pegue 1 xícara de açúcar;mas agora não mais para lembrar o que passaram, mas sim o quanto foi feliz naquele momento, só você e suas realizações, o quanto fez o bem para aquela pessoa que da noite para o dia acaba lhe abandonando.
2 a 3 ovos; e 1 colher de manteiga; 1 colher de pó - Royal; e amasse novamente, e nada de descontar suas raiva na massa, lembre que o amor é próprio e não dividido. Amasse, faça força para se sentir forte e dar a volta por cima. Lembre o quanto é especial e que agora vai ter que começar tudo de novo.
Tudo amassado divida a massa em duas partes, para lembrar que o amor tem que ser dividido. A mesma proporção para um e outro, em uma relação ninguém ama demais ou de menos, ma o mesmo tanto.
1º forre o tabuleiro, com uma parte da massa, abra bem fina. Recheie com o doce de abacaxi que é todo o amor perdido, cubra com o restante da massa, que é o amor renovado pelo menos o seu, sua auto-estima seus conhecimentos e seu poder de conquista, aprenda com o velho amor. Leve em forno brando; cortar em quadradinhos e sirva em uma bandeja de vidro.
E chore o tempo que for necessário para esquecer este amor em pedaços.

terça-feira, 6 de julho de 2010

tricortando



Tricortando minhas historias, gostaria de brincar de ser feliz, pintar o meu nariz...
Levantar meu estandarte, eleger alguém para fazer as minhas graças e ser metido como sempre fui... Metido no momento certo de me meter nas coisas.
Ser o bobo que sempre fui. O bobo que para e fica analisando e pensando, e não tentando me fazer esperto, e achar que sei tudo sem observar.
O tricô é uma arte feita em duas agulhas que costura com cada nó uma trama, e esta trama se transforma em um monte de emaranhado, pontos que se transforma em uma blusa, um cachecol, uma coberta... Que poderia também ser feitas de retalhos ou fuxicos, como as das Senhoras da casa grande.
A casa onde corria quando pequeno, fazia bolo de barro na horta, e me banhava em uma banheira de louça aos xingos daquela senhora.
Desmascaro-me a cada pensamento, vejo o que não fui, mas me remeto ao que ainda posso ser.
Aquele beijo roubado... Tirou-me o fôlego, mas o perdi em algum 422, mas posso dizer que fui um bom ladrão, não capturei o seu corpo, mas sim a sua essência. Não furtei mais seus beijos, mas consegui fazer parte do mundo besta.
Mas roubei suas mãos... Roubei a imagem da menina de Paquetá, andando de bicicleta na chuva. Roubei brigadeiros de colher da festa da minha amiga.
Tomei um chá pra curar a azia que os prédios me causavam, quando o sol invadia todos os meus poros.
Ponho meus óculos antigos, para me mostrar e não para aparecer, sou meu próprio cartão de visita, escrito em letras garrafais, com luz de neon sou a musica de Milton.
Sou aquele cigarro fumado na hora do gozo, sou meu próprio personagem onde não penso.
Sou a literatura de Hilda Hilts, quando estou dormindo em pé, quando o dia é qualquer, quando jogo meus búzios ao alem, e ofereço a minhas orações a Deus!
Tricortar é isso, um grande emaranhado de coisas que nem mesmo sabemos, o sentido de tudo isso!

terça-feira, 18 de maio de 2010

O andar nos causa tédio quando aprendemos a voar... 1988 o ano que fizemos contato...


Deveria ter entre meus 15 para 16 anos, quando o mundo se revelou de uma forma intrigante para mim, foi quando comecei a prestar atenção nos fatos e acontecimentos.
Ano que já não era mais uma criança e muito menos um adulto, já estava cursando a 8ª serie do colegial. Era como todo adolescente, mas não um adolescente comum. Destes, que se aborrecem com o mundo se trancafia em um quarto, que quer aprender falar inglês porque estava na moda (sempre fui muito brasileiro para estas coisas).
Ou simplesmente queria participar dos bailinhos feitos na casa de colegas porque ainda não podíamos sair à noite.
Enquanto pensavam nestas coisas, eu voava...
Campos Gerias se revelava, uma cidade conectada, cheio de festas, esperávamos o ano todo pela festa do Ancião na Vila Vicentina, geralmente éramos mais famosos que atores de televisão, apresentávamos todas as noites nesta quermesse, cada dia uma apresentação diferente!
A festa da padroeira da cidade era também em julho então ao termino de uma festa os atores mirins iam para outra festa se apresentar sem descanso ou momento para ensaios. (era tudo tão lindo e mágico que a gente não tinha noção da grandiosidade daquilo)
Neste período enquanto os meus colegas iam para os bailinhos na casa da Roberta, eu ficava em casa ensaiando meus passos frente ao espelho, enquanto comentavam o que fizeram no fim de semana ou como haviam saído na prova da escola, eu ficava no canto lendo Nelson Rodrigues, (o que escandalizava minha mãe) mas a verdade é que sempre detestei a coleção vaga lume, Machado de Assis. Enquanto tínhamos que ler capitães de areia para fazer a ficha literária, eu já estava terminando a coleção de Jorge Amado, e maravilhava com a literatura de Os Anarquistas Graças a Deus de Zélia Gattai. Meu primo fazia um evento no clube ARC, um clube que era apenas freqüentado pela sociedade camposgeraensse, o Festival da Poesia, era muito interessante.
Eu, e um amigo, sentávamos na janela de sua casa, mas não era uma janela comum, era a janela que nos conectava com o mundo, onde criamos nossos sonhos e planos. Onde se via o por do sol (eu odiava e ainda odeio o por do sol, detesto essa hora nem barro nem tijolo. Alguém uma vez disse que é a hora que Deus cochila, acho que é verdade)
Eu, menino nem moço, nem homem nem mulher, já viajava sozinho, por ter credibilidade com minha mãe. Enquanto meus colegas assistiam sessão da tarde, o filme: E.T(hj posso definir que eles se identificavam com o filme) eu já tinha visto, A ultima paixão de Cristo, o Ultimo Imperador (ganhador do Oscar) e o filme polemico para época Camille Claudel. Apaixonei-me pela arte.
E pelo mundo do figurino e da indumentária, quando vi Clodovil Hernandes, na teve mulher- ali percebi que era tudo aquilo que ele era e poderia ser.
Foi neste mesmo ano que Ulysses Guimarães, disse “Viva a vida que ela vai defender e semear!” dizendo a respeito da nova constituição (mal sabia ele que ela teria emendas, retalhos e falcatruas)
E na cidade de Campos Gerias vivíamos a política medica o prefeito Dr. Salvador de Mesquita. (bom? Não sei opinar, ainda ficava voando no mundo das artes)
Aos domingos era sagrado ver Silvio Santos com show de calouros, e acabava ele apresentando o programa de misses, neste ano a Miss Brasil foi Isabel Cristina Beduschi.
Foi o ano da morte de Chico Mendes, que lutava pelas terras e a não exploração da amazonia.
E o nosso dinheiro era o cruzado, o melhor que tudo tinha um preço pela manha outro na parte da tarde e a noite isso multiplicava.
Todos ouviam Roxette, Guns N Roses, Angélica com o seu hit vou de taxi, eu ouvia Marisa Monte, aquela mulher cabeluda com voz de opera, cantando Bem que se quis, Milton Nascimento e Dalva de Oliveira( um suplicio para minha mãe) e desespero para os vizinhos.
Foi a primeira vez que assisti a uma peça de teatro pensante, sem aquelas coisas infantis no meio. Vi a montagem de Brecht feita por Caca Rosset.
Neste período já sabia o que era maconha, (experimentado também) já tinha feito sexo com meninas e meninos. Com as meninas achava que era o Axell Rose, da banda Guns e com os meninos achava que era Madonna.
Alguns colegas eram apaixonados na Patrícia ferreira de Souza, (um dos ícones na cidade) outros na Soraia do Ricardo (também um ícone) (as pessoas no interior colocavam o nome do pai como referencia) eu também tive minha paixão por ela, mas viramos amigos e ótimos- claro!
Tudo acontecia nesta pequena cidade do interior, mas o mundo me fazia sempre olhar para fora.
Todos preocupavam com os estudos, eu me preocupava exclusivamente com a vida social, e poder participar de tudo aquilo.
Podia se ver na praça a formação do calçadão e as pessoas curtindo a noite por lá.
Podia escutar no bar do jiló a melhor musica ao vivo, depois ir para o casarão, o bar da tia lu, estas coisas todas- e principalmente depois ficar mal visto na cidade, por não ter idade para participar de tudo aquilo. Mas eu com a minha cabeça cheia de sonhos e questionamentos não poderia ficar de fora e nunca deixar de fazer o contato com o mundo, onde aprende tudo, as coisas que são boas e as que não são boas. E eu participei da ideologia de cazuza ( hoje não o vejo como um profeta) as caras e bocas de Madonna, o bom dia amiguinhos já estou aqui da Xuxa, a voz sedutora de Tracy Chapman, e chorei com a metade do mundo e com o tigre de Seul! No ano de 1988.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pretensão




Andando sem pretensão alguma pela rua, somente sentindo o sol da manha, comecei a sentir o bater da brisa no rosto como se fosse uma benção divina, neste momento esqueci por completo a minha existência quanto humano e passei a fazer parte deste contexto entre o sol e a brisa.
É como se meu corpo já não existisse, naquele momento, era eu e a bondade de Deus.
Quando comecei a perceber cada casa, cada recorte de das nuvens as pessoas e... Um toc toc muito leve e suave, como se fosse a percussão de algum tambor indígena, foi quando este toc toc começou a aumentar e me fazer lembrar dos poema de Cecília Meireles: “A canção dos tamanquinhos”, por mais que aquele barulho rapidinho me irritasse profundamente, no fundo bem lá no fundo o poema me fez voltar a infância. Uma infância ingênua e engraçada, que corríamos na rua, jogava bolinhas de gude, tocava campainha da casa das pessoas e saia correndo.
O toc toc ligeirinho da minha mãe chegando em casa, para o almoço, da minha avó arrumando para ir as missas dominicais, pela manhã.
O toc toc vai ficando forte e irritantemente constante como batidas fortes de alguém que esta mais apressada, e que perde o seu tempo para chegar a algum lugar com muita exigência! E, esquece de apreciar aquilo que naquele momento era importante para mim, e que estava perdendo o seu valor por causa deste barulho chato: toc toc toc toc toc toc!
Neste momento criei uma inveja do sol, que aquece e ao mesmo tempo tão distante. Fiquei com ciúmes do céu e das nuvens que estava tão perto dele, dos pássaros que podiam abrir suas asas para alçar vôos pela brisa que naquele instante era minha!
Sem saber aonde chegar, andei, andei muito e rápido para que aquele barulho não me perturbasse tanto. E procurando a paz dos meus ouvidos somente para sentir aquele momento único do prazer Divino, me sentir por um só instante o Divino, por ser sua imagem e semelhança.
Quando me deparo com zum zum zum, brum brum brum, era uma onomatopéia de sensações e sentidos.
Foi ai que percebi que Deus, quis e mostrar que tudo aquilo que no momento estava me atrapalhando, também passava e observava. Tornando-me condescendente com o mundo, largando o meu lado egoísta e vendo tamanha pretensão a minha de querer ser parecido com Deus e ao mesmo tempo ter o dom divino de reger as coisas ao meu modo.
E o sol? Este continuou a brilhar forte e aquecer, a brisa? Continuou ventar fria e a tocar nas pessoas.
E eu? Continuei com ciúmes do céu e dos pássaros!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Festas...





E ai, como sobreviver a uma festa? Não sei, nunca opinei por estes assuntos seja ela qual for. Das temáticas a rega-bofe, festas sempre foi uma grande tortura tanto para quem recepciona como para quem é recepcionado.
Uma grande festa para ter o seu valor sucesso, seria assim:
Você, somente, e quando digo somente é sozinho mesmo. Um cantor que tenha uma voz doce, nem muito grave nem muito agudo, apenas uma voz macia e aveludada. Que cante baixo e faça a gente ter vontade de ter muitos convidados- mas como convidados quase nunca sabem se portar nestas horas então melhor sozinho!
Bom! A bebida a melhor possível, vinho se for uma musica clássica, mas como minha festa tem que ser regada de samba então choop ou cerveja (caipirinha) nunca dispenso. Depois os comes para um bom sambinha a comida de boteco (saudade do Rio, e da festa da Mãe do Luis) e da comida da tia Lucy comida de boteco mesmo.
Um garçom e uma cozinheira de mão cheia, precisa de coisa melhor? Não!
Ah precisa as baianas de Dona Olímpia, maravilhosas, com uma bandeja de vatapá na cabeça e rodando as suas saias rendadas (brancas) nada de colocar aquele branco encardido que mais parece bege (branco é branco) e ai sem conversar e sem falar nada aproveite ate o sol raiar.
Agora, tem pessoas que só sobrevive a uma festa regada de pessoas. E o pior é combinar pessoas, tem fulano que não combina com cicrano, tem o cicrano que separou do fulano e por ai vai.
Uma festa para ter muitos convidados precisa de ter um político de sucesso que esteja nas pagina policial (claro, ou participado de uma CPI,) uma modelo, preferência uma miss, umas pessoas da moda, um gay totalmente irreverente, geralmente as festas estão garantidas com eles) mesmo que caia na derrotada da coluna social do dia seguinte. Enfim as pessoas devem combinar, e ser a harmonia da festa, deve combinar inclusive com a decoração
Com amo Danuza Leão, só ela poderia escrever sobre isso de uma forma tão gostosa de ler!
Mas já que este mesmo disposto a essa grande tortura, por favor, seja o anfitrião ou a anfitriã, esmere no conforto dos seus convidados, faça a propagação da festa, para os inimigos e invejosos morrerem de ódio.Que sua roupa seja da mesma alfaiataria do Papa Bento (ele veste Prada da cabeça aos pés) e olha que ele nem participou e nem uma pontinha no Diabo Veste Prada- coitado!
Depois pense na ornamentação da festa, flores do campo para primavera, flores clássicas e nobres para meia estação e para o frio-bloco de gelo. Pelo menos nunca faltara gelo para as bebidas de dose.
E ai terá uma festa regada a gelo gente falando alto, e muita disposição para a noite toda.
Um cantor sertanejo, melhor dois- uma dupla emergente sempre é boa, eles ainda recebem pedido dos convidados.
E sempre tem aqueles que ficam do lado dos cantores pedindo toca essa, você sabe essa? E por ai vai à noite toda e os cantores monopolizados pelo chato que ama sertanejo.
E voilà! ... Será? E se chover? Cobre de lona, Poe uma carne para assar e faça deste verdadeiro dilúvio um churrasco, e um ensopado de carne de gato!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

QUEM NASCE NA SAPOLANDIA É?...


...Camposgeraenses... E mais nada!
De volta ao mundo, de cangereyork.
Vendo coisas que não queria e nem me importava em ver e nem saber.
Já pensou uma câmara passar a noite votando em definir, se um bairro deve ou não se chamar, Santa Luzia (que não tem nenhum motivo) nada contra a santa em questão, até porque a cidade cangereyork sofre de administração e não mau de visão. Ou Sapolândia(nada contra os sapos) mas este nome existe desde o tempo que o colonizadores chegaram a este município, então culturalmente e como patrimônio do local, Sapolândia seria o nome a ser dado para o Bairro de Cangereyork! E me desculpem os moradores, morar na Sapolandia, não os transforma em sapos, verdes e muito menos em elixir de Bruxas. Eu e minha cabeça de Peter pan... Na terra do nunca.
Quando chegava a esta cidade lembrava sempre do texto de Drummond que falava cidadezinha qualquer, que tem como termino falar que a calmaria e a simplicidade do lugar se tornavam a vida besta. E sempre foi besta! Desde que me entendo por gente, cangereyork tem as mesmas coisas as mesmas pessoas e mais nada... E ninguém tentando fazer nada para melhorar ( se alguém falar que também nunca fiz, atiro a primeira pedra e falo que é verdade) afinal fazer algo delega poder e nunca tive, e os que tem... Nunca fizeram e não fazem!
Mas Quintana, mesmo vendo que a vista é besta, mostra uma cidade mais cheia de graça e que cabe tudo em um só olhar.
O olhar da compaixão dos que amam, dos que divertem, das crianças, dos burricos que pastam na praça, dos descamisados que não são assistidos pela assistência social e que residem na Praça Josino de Paula Brito, das pessoas que querem uma cidade melhor, um bom lugar para morar com uma boa qualidade de vida.
Querer nunca foi poder, já dizia este velho clichê, mas que funciona muito bem. Uma briga entre o céu e a lagoa, mas não a lagoa Rodrigues de Freitas e sim a lagoa do vale dos Ypes!
Que Ypes? Cortaram todos em cangereyork! Ype agora só se for marca de sabão. Um sabão para lavar a Praça Josino de Brito, que anda precisando, para pelo menos ficar com um aspecto limpo!
E ai faz abaixo assinado, uma legião da boa vontade tenta sair da sapolandia e ganhar a redenção do céu.
Outros sapos ainda querem ficar com o nome de sapo, porque são mais inteligentes que os outros, afinal quem disse que sapo não vai para o céu? Alguém se lembra da fabula festa no céu? O sapo de esperto foi dentro do violão... Mas foi!
E não precisou de vereador ou abaixo assinado, um plebicito daria muito certo no céu e na lagoa! E ninguém seria desafeto para ninguém, nem para a Santa, nem para o Sapo.
E com toda esta briga nunca terá dignidade por quem lá reside, pois o tempo livre para pensar pensa logo em denominar bairros.
Mas os sapoyorkinos querem se comparar aos gangeryorkanos quer perder a sua identidade e seu patrimônio... Como tudo por aqui, tudo se perde... Afinal onde estamos? Terra do nunca? E eu ainda espero o TIC TAC dentro da barriga do jacaré que engoliu um tempo muito... Muito... Muito... Distante de nós!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Notas rápidas...


Sobre amigos:

Amigos são os irmãos que escolhemos, não nascemos predestinados a eles. Então sejamos amigos. Incondicionalmente, na alegria e na tristeza na suade e na doença.
Ficar agindo que é amigo só porque os namorados, maridos e afins tem algo em comum, lembre-se que toda sociedade é solúvel em água e sonrisal... Uma hora chia. Se for para falar mal e agir com falsidade, para que ter amigos? Amo os meus e tratá-los incondicionalmente com carinho é questão de amor e reciprocidade!

Relacionamentos:

Gosto das pessoas que quando vão começar um relacionamento, convida a todos para um champanhe e um bolo, e apresenta o distinto ser em questão.
Mas quando terminar, por favor, faça o mesmo e diga que é uma celebração ao novo. Se for chorar pelo que acabou, melhor nem terminar ou mesmo nem começar. Seja pratico, nunca fale mal do ser que por meses, dias ou anos te fez feliz! Detesto este amor bandido “negue que me pertenceu”! Isso ficava lindo para Dalva de Oliveira. Já que vai falar algo do ex diga apenas bem, só assim ele vera a pessoa maravilhosa que perdeu! Mas se o caso foi traição, ai sem chance melhor mesmo espalhar aos sete cantos do mundo o quanto o ser é cretino e insensível! Como nunca tive vocação para ter um relacionamento e um amante, e também nunca consegui administrar tudo isso. Gosto sempre de lembrar que fidelidade, é o que é fiel a origem o começo, seja a favor da lealdade, porque assim você sempre será leal e fiel a você!

Pessoas:

Nem preciso dizer o quanto o mundo é adverso, e os clãs ou os novos grupos sociais também.
Mas esta regra nunca muda: “quando apresentar alguém lembre que os mais velhos sempre são apresentados primeiros, ou então pela titulação que o individuo carrega, e nunca ao contrario os mais jovens ou os que não têm titulação.
Quando vou ser apresentado a um novo grupo e este tem mais do que três pessoas, dou um oi geral, digo muito prazer a todos e depois vou me socializando.
Detesto pessoas que quando conversam no meio da frase soltam uma frase em outro idioma, acho isso pedante e deselegante (quando são amigos já pergunto onde é o botão da legenda) nada contra quem tem mania de “INOS”, mas os inos falados nos países de origem são maravilhosos, no Brasil da um ar de ostentação, que chega a ser cafona!

Bebidas:

O doce sabor de poder ficar alterado licitamente, e vendo o mundo mais colorido!
Algumas bebidas ainda continuam em alta outras já nem existem mais e algumas novas entraram no mercado... Mas tudo pelo nosso bel prazer de podermos ficar mais soltos e relaxados, mas já vamos combinar que beber em demasia e ficar caindo pelas ruas, só em caso de suprema necessidade (se é que existe e justifique tal ato alcoólatra)
Nada justifica beber para aparecer e ser o centro das atenções. Beber e achar que o mundo é um cabide e ficar pendurando e dançando e se exibindo empoleirado em algum lugar, pode ser maravilhoso dentro de um quarto com a porta fechada e com uma meia luz. Apenas, você e o companheiro (a) em questão além de chic é performático! E lembre que para os que são apreciadores de um bom vinho, lembre que existem lugares para apreciá-los, voltando a tecla da indiscrição, beber vinho em um pais totalmente tropical, com um calor de 45 graus a sombra pode ser elegante, mas o ambiente tem que ser climatizado e não uma pizzaria onde servem petiscos como entradas! E tenho dito!

Ressacas:

Como é bom ter, e as minhas me dão uma amnésia momentânea, fico totalmente apático, ao que aconteceu no dia anterior o que foi dito e por quem foi dito, se teve briga, se não teve. Se alguém beijou e, ou no fim da noite saiu com alguém ou foi encontrado!
Mas depois de algumas horas um banho, e uma comida leve ai revigorado e a memória vai voltando aos poucos... E o melhor lembrando cada fala e cada situação... Telefone em mão e comece a proliferar e a verbalizar tudo, que aconteceu e ria e conte para todo mundo... Afinal que graça tem, ter ressaca fazer algo totalmente inusitado (mesmo indo embora de braços dado com dois soldados) e não poder compartilhar com ninguém? Então conte e aumente um pouco para a estória ter uma emoção maior!

Comportamento:

“Em dias de hoje bom que se proteja Deus está conosco até o pescoço...” Esta é a mais pura verdade, afinal o nosso comportamento está de mal a pior, ou somos totalmente mal educados e não usamos o nosso bom dia boa tarde e boa noite, com licença, até breve, desculpa, precisa de alguma coisa, posso ajudar, são palavras e atitudes de pessoas bem educadas e que nunca cai de moda.
Há pessoas que se desprende pelo outro sem cobrar nada, só pelo simples dom de ser boa por natureza, (são tachados como Madre Tereza de Calcutá) como se isso fosse indigno dos seres humanos. Mas a verdade é que estamos tão preocupados com o nosso umbigo que esquecemos os outros, e nunca estamos dispostos a estender a mão e ser solidário. Fazemos o nosso convívio diário o mais puro momento de levar vantagem em alguma coisa. Então por um dia ou por algumas horas vamos fazer uma campanha de mobilização com o nosso espírito e sejamos por um minuto uma Madre Tereza de Calcutá. Será que conseguimos?

terça-feira, 23 de março de 2010

O doce sabor de viajar!



Viajar sempre foi o meu forte, arrumar as malas conhecer lugares pessoas e culturas (já estou ficando repetitivo)
Gosto de viajar, isso é fato! Conseqüências? Todas as que me dê prazer. E a melhor viagem não é apenas aquela em que você arruma as malas e parte rumo ao desconhecido.
A melhor viagem que temos é a astral, aquela que você sai do corpo e lembra-se das coisas que fez e o quanto aproveitou. (como gosto de transportar para os meus lugares favoritos! E quem não gosta?)
Quando estou netas viagens o que mais recordo é o tempo que criança, sinto gosto e o cheiro das coisas, tenho ate hoje na minha memória, o cheiro da minha avó (das duas) quando estava a beira do fogão cozendo para toda a família.
Minha avó materna fazia bolos e doces como ninguém... Ela cheirava açúcar (por isso tão doce) e seu nome claro, mais doce ainda. Balbina, mas carinhosamente, Doquinha, uma senhora corpulenta, que pronunciava muito bem as palavras, de mãos macias, voz mansa e cabelos prateados como a lua.
Até brava era carinhosa com os netos (pois com os filhos nem tanto), quando me lembro dela meus olhos ficam marejados e claro, e com uma vontade imensa em comer doce de cidra (que ela fazia, nos tachos de cobre), assentar no avarandado do quintal, e escutar meus tios e suas conversas sobre tudo, mas tudo mesmo.
Minha tia tem por Dom nos encantar com suas estórias e historias (por isso gosto tanto do mundo das artes) por minha mãe, e minhas tias: Cida e Ângela (sempre tive uma ligação forte com o universo feminino da minha família)
Minha avó paterna era deliciosa, cheirava a folhado, cozinhava as coisas de sal com tanta primazia que podia matar qualquer chefe de inveja, fazia tudo com tanto carinho que isso era maravilhoso, e assim como todos que cozinham com temperos, era apimentada brincalhona irreverente. Também tinha loucura com os netos, fazia tudo para agradar, mas brigava com a mesma intensidade que os amava.
Tenho certeza, que em uma briga entre pais e filhos, ela tomaria (tomava) partido dos filhos claro!
Os netos era sempre os errados. Minha avó paterna nos deseducava, nos beijava o tempo todo, nos ensinava a falar palavrões... Amava-nos!
To certa que no fim da vida ela achava que eu era a pior pessoa do mundo, o pior neto que ela já teve. (mas aos 86 anos com esclerose, qual seria o neto perfeito?)
Tenho por todos os meus familiares, um carinho enorme, cada um com sua importância e singularidade, mas por estas duas pessoas... Como tenho saudade, como as amava (e amo) e como o amor dói! Mas ter estas dores e sofrer por amores só mesmo viajando! E tendo sempre a sensação que somos uma letra de samba canção interminável!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Só as mães são felizes...


E só elas e mais ninguém sabe a dor de gerar alguém dentro delas e carregar, com tanto zelo em seu ventre um rebento que será para ela motivo de honra e gloria ou um verdadeiro desgosto. (ainda tenho minhas duvidas quanto a desgosto) mães nunca ficam com raivas e ódio genuíno mortal dos rebentos, por mais que este tenha se tornado um traste ou algo do gênero.
Mães amam incondicionalmente, choram, dá conselhos, tira os filhos do serio, invadem a privacidade destas pobres criaturas que são os rebentos. Mas sempre estão lá para o que der e vier... Ora fazendo as guloseimas, ora apenas querendo fazer um carinho ou apenas por estar lá... Cumprindo o papel de mãe!
Mãe tem por dom e não mais do que isso lembrar tudo, com memória de elefante, lembram de cada tombo, cada machucado, cada cicatriz que temos no corpo.
Minha mãe não foge a regra de nenhuma delas, faz tudo isso e muito mais... Sempre tivemos uma relação que nunca soube definir, se era de mãe e filho de amigos, nunca soube, e também nunca tive coragem de perguntar. (talvez o medo da resposta)
Sempre fomos muito unidos... Mas também sempre brigamos, e nossas brigas são as melhores, sempre baixo e muito calmo. Mas são filhos e mães cumprindo o seu papel.
Da santa a pecadora, mãe sempre vai tentar fazer pelos seus filhos o que mais prezam, educá-los, e este amor criará vida própria, quando você vier a ter um filho. Ai meu amor, cuidado... Porque estas senhoras que não fazem mais tricôs, não ficam nas cadeiras de balanço e fazem quitutes... Mas que gostam de academias, jogar carteado, hidrogisnastica, vai deseducar os seus rebentos e vai colocá-los sempre contra vocês... Os filhos de ontem até então ingratos, passa a serem os monstros. E os netos?... Os diamantes destas pessoas tão maravilhosas que chamamos de mãe.
Tenho certeza que até a Virgem Santíssima, faria o mesmo... Faria? Sim faria... E é só porque ela tinha que cumprir a profecia de Deus, pois, tenho certeza que se Jesus tivesse entrado nesta apenas por ser um lunático político, ela teria feito um verdadeiro inferno na vida dos reis da época, dos soldados nem se fala... Lutaria com eles como se fosse um leopardo defendendo a cria! E se tivesse netos... Teria um do de Jesus, e de sua esposa, pois ela seria a avó do ano, e ensinaria o neto tudo aquilo que Jesus fez (de errado claro) e ele fariam com seus pais... E assim o ciclo dos filhos e netos se perpetua!
Perpetua, vai ser sempre o discurso político de mãe e filhos, e suas brigas de geração e tudo mais... Mães, o doce dom de ser feliz sempre, ou padecendo sempre no próprio mundo, gosto da frase: “ser mãe é padecer no próprio inferno”! O delas? Claro que não... O nosso! Afinal quem ira sofrer sempre quando não dermos para fazer uma ligação? E quando não der para aparecer para o almoço? Elas... As Mães!