
Quem nunca sonhou com aquelas secretárias das décadas de 1940 e 1950? Ou, pelo menos, em fingir ser uma delas? Para quem ainda vive em Marte e não sabe o que é uma pin-up, o conceito era simples: elas faziam a linha donas de casa perfeitas, secretárias submissas, telefonistas sorridentes e enfermeiras dedicadas. Tudo isso enquanto panfletavam latas de sopa industrializada e exibiam cozinhas maravilhosas — e não, não estou falando da finada Ofélia. Na realidade, eram garotas de calendário: o mais próximo que a sociedade puritana chegava de uma mulher nua, contanto que ela estivesse comportada e sorrindo. Essas eram as pin-ups.E não pense que estamos longe dessa realidade idílica. Hoje, as mulheres fazem tudo isso e mais um pouco: viraram apresentadoras de TV, desfilam para grifes europeias e posam nuas com o ego devidamente inflado. Quer algo mais fantástico? A mulher moderna frequenta aulas de etiqueta, cria filhos, limpa a casa, trabalha fora e ainda arruma tempo para a caridade. De quebra, são seguidoras fiéis de instituições patriarcais e machistas, sacrificando-se uma ou duas vezes por semana para tomar chá na casa da amiga doente — tudo, claro, para manter as aparências e acompanhar o status do marido.Nem a Mulher-Maravilha faria tal proeza, mesmo com superpoderes e aquele chicote da verdade. E detalhe: a mulher moderna faz tudo isso equilibrando-se por oito horas diárias em um escarpim com salto agulha assassino. Isso sim é ser uma verdadeira mulher, ou melhor, a evolução darwiniana de uma pin-up! E, milagrosamente, ainda sobra tempo na agenda para menstruar, sofrer, ir ao ginecologista, abastecer a despensa do mercado e manter uma vida social badaladíssima. Sem esquecer, óbvio, da visita obrigatória à sogra ou à mãe, e do batistério semanal no salão para retocar o cabelo e a unha — afinal, a vida social exige essa camuflagem.É claro que mulheres que vivem nesse liquidificador existencial ganham o direito divino de habitar a TPM eterna, de serem frias quando convém e de amarem menos do que deveriam. Elas choram baldes, sentem-se carentes e, às vezes, um lixo completo como mulheres.Por isso, homens, um aviso de utilidade pública: ao tentarem capturar uma pin-up moderna para a sua coleção, sejam inteligentes. Primeiro, fiquem ricos. Mas ricos de verdade, nível herdeiro ou investidor de risco. Escarpim italiano custa um rim, e a bolsa da Louis Vuitton drena o outro. Levar os catarrentos à escola gasta gasolina premium, e o salão de beleza cobra o preço de uma pequena reforma residencial. Por acaso os senhores fazem ideia de quanto custa um reflexo bem feito no cabelo e uma unha de porcelana legítima? Spoiler: custa dinheiro.Aliás, aceitem que o amor custa caro. Cuidar custa caro. E vamos combinar: ter uma mulher dessas em casa — escovada, perfumada, impecável e deliciosamente prendada — exige um investimento de alto risco. Mas fiquem tranquilos: é satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Tudo isso devidamente registrado em cartório, com vinte testemunhas e firma reconhecida na delegacia. Porque se a boneca em questão sofrer qualquer dano moral, estético ou psicológico, a conta será julgada perante um juiz de direito. E, convenhamos, o ego feminino é muito mais implacável, frio e justiceiro do que qualquer código penal existente neste país — ou no resto do mundo


