Páginas

sábado, 13 de março de 2010

A vida de Mary Poppins!


Se a minha vida fosse um filme, seria, com absoluta certeza, Mary Poppins (o clássico de 1964 da Disney, estrelado por Julie Andrews e dirigido por Robert Stevenson). Uma babá com poderes mágicos que brota na casa do Sr. Banks para cuidar dos filhos dele. Ela chega voando, usando um guarda-chuva como paraquedas, e traz na mala brincadeiras que transformam aquela família.Um musical maravilhoso... Mas o que eu amo de verdade é o final: quando a Mary Poppins arruma as malas, abre a sombrinha e some no mapa, levada pelas correntes quentes do sul.Pois bem, a minha corrente acabou de passar. Eu me joguei de cabeça nesse voo e, por ironia do destino, aterrissei em Campinas, na casa de uma amiga que terá que me aguentar por uns dias. Sempre fui meio surtado: amo viajar, fazer malas, conhecer pessoas e devorar novas culturas. Viajar nos joga na cara que o mundo não é uma tela de plasma com controle remoto e TV a cabo. O mundo real é feito de pessoas e de como elas vivem — embora a ordem dos fatores aqui não mude o resultado.O mais engraçado é que Campinas me dá a "segurança de Manhattan". Detalhe: nunca pisei em Manhattan e nem tenho curiosidade. Meu plano de surto de consumo e glamour envolve apenas Paris; no resto do tempo, sigo viajando pelo Brasil. Campinas, no fundo, funciona como uma extensão de São Paulo. Uma espécie de "ilha de Sampa" povoada por nativos que juram que são nova-iorquinos purinhos — e totalmente frios, bem no estilo que a Rita Lee cantava.A cada vinte palavras ditas por aqui, pelo menos quinze são em inglês. Se a pronúncia é boa? Nunca saberei. Não sou adepto do inglês, prefiro o francês. Mas, ao contrário da maioria dos brasileiros que faz cara de paisagem e finge que entendeu o jargão corporativo da moda, eu grito logo: "Traduz aí!". Eles ficam horrorizados com a minha caipirice explícita. Paciência. Sou brasileiro e o português ainda é uma língua deliciosa de se usar — em todos os sentidos dúbios que a palavra permite.Tudo aqui é uma piada pronta. Sinto-me em um vilarejo onde os moradores juram que vivem em uma megalópole. É divertido; a gente ri do absurdo das pequenas coisas e das pequenas "zonas" locais. Inclusive, conheço a zona mais famosa da região: o Galo de Ouro. Um lugar fascinante, cheio de mulheres interessantes e um elenco que transborda animação.Estamos juntos praticamente todos os dias, fazendo Deus sabe lá o quê, quando e onde. Mas fazemos. Vivemos com a certeza de que ter as malas prontas é o melhor estado de espírito possível. Assim, quando o vento do sul mudar de rota novamente, já saberemos que é hora de partir, dizer adeus e rumar para o próximo alvo!

Nenhum comentário: